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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Síndrome de Sininho

 Por: Filipa Jardim Silva.
Peter Pan é um menino que mora na Terra do Nunca, um lugar onde não tem de crescer e onde os dias nunca são iguais. Entre os seus amigos destaca-se a Fada Sininho, uma fiel companheira que o protege e lhe alimenta um conjunto de fantasias procurando o agradar incessantemente.


 
Se olharmos à nossa volta ou mesmo para dentro de nós talvez reconheçamos características da fada Sininho. Mulheres com elevados desempenhos, tendencialmente bem sucedidas na vida profissional, que transmitem uma postura de independência que não raras vezes atrai mas também assusta alguns homens, divididas entre acreditar e investir numa relação estável e duradoura e a opção de ficarem sozinhas pontualmente acompanhadas.

Existem alguns homens que sentem alguma relutância em crescer e assumir os desafios que chegam com as responsabilidades, tal como o Peter Pan. Mas também existem mulheres que se sentem impelidas a assumir um papel de proteção, tal como a fada Sininho, ainda que nem sempre se permitindo a amar verdadeiramente ou respeitando as suas necessidades e limites. 
E assim se conjugam forças ambivalentes, em que por um lado existe a procura de conexão íntima e a necessidade de cuidar do outro e por outro lado um medo de perder o controle e ficar dependente. 
Não sendo possível mantermo-nos sempre emocionalmente controlados, o que tende a suceder é uma sensação de vazio prolongado no tempo em que de relação em relação, ainda que cuidando do outro e fazendo-o encantar, nada ressoa verdadeiramente porque não será possível sentir-se o outro sem nos colocarmos vulneráveis, isto é, sem nos permitirmos dar a conhecer com todos os riscos que isso implica. 
O que também acaba por acontecer um dia, sem aviso prévio, a mulher perde-se de amores, de uma forma tão avassaladora e intensa que pode  transitar para o outro extremo, o da incapacidade de se gerir emocionalmente.

Esta tentativa de evitamento da vulnerabilidade encarando-a como sinal de fraqueza leva a que muitas vezes passemos a viver as nossas vidas desempenhando um personagem como se se tratasse da vida de outra pessoa que não nós.

Em primeiro lugar, importará recuperar a menina pequenina dentro de todas estas mulheres para restaurar as suas fundações emocionais. Por debaixo dos medos, defesas, zangas e máscaras tenderá a encontrar-se tristeza e algumas fragilidades, como “eu não sou suficientemente boa” ou “não consigo me proteger”, que necessitam ser reparadas, reajustadas ao momento presente tantas vezes diferente do passado, permitindo então reaprender formas diferentes de se relacionar e de se colocar na relação com o outro, partindo sempre de uma base de auto-aceitação e segurança interna que é criada de dentro para fora.

Publicado por oficinadepsicologia às 09:13
Fonte: http://oficinadepsicologia.blogs.sapo.pt/138272.html

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