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sábado, 25 de maio de 2019

Você passaria no teste de saúde mental de Donald Trump?

 
 
A saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é “excelente” e não há indícios de que tenha problemas cognitivos. Foi o que afirmou o médico da Casa Branca, Ronny Jackson, depois de o mandatário de 71 anos se submeter ao teste de avaliação cognitiva de Montreal (MOCA) e obter a pontuação máxima. Os testes incluem a identificação de animais que aparecem desenhados, pintar um relógio que indique uma hora determinada, memorizar uma lista de cinco palavras, dar uma pancadinha com a mão toda vez que se diga a letra “A” e saber o dia em que se encontra.
O teste leva apenas dez minutos para ser realizado e serve para detectar problemas leves mediante uma série de perguntas. Utiliza-se, por exemplo, para determinar se o paciente tem perda de memória ou dificuldades de atenção. Além disso, avalia outros domínios cognitivos, como concentração, funções executivas, linguagem, habilidades visuoconstrutivas, pensamento conceitual, cálculo e orientação.
De acordo com esse teste, quem obtiver entre 26 e 30 pontos terá capacidade cognitiva normal. Tirar menos que isso poderia ser sintoma de sofrer de demência. Apesar de Donald Trump ter obtido a pontuação máxima, o neuropsicólogo David Morales afirma que este método é pouco adequado para determinar se o presidente goza de boa saúde mental. “Chama a atenção que tenham utilizado este teste porque é como se você fosse ao médico e tirassem a sua pressão sanguínea. É uma coisa muito elementar e simples”, explica.
Teste MOCA. ampliar foto
Teste MOCA.
Este teste é válido para qualquer idade, mas é empregado sobretudo a partir dos 65 anos. “Utiliza-se muito no atendimento básico quando chega uma pessoa idosa que está desatenta. Se não passar, é encaminhada ao especialista”, diz Morales. Não há um teste específico para determinar se alguém tem uma boa saúde mental, pois seria “necessária uma avaliação clínica dos diversos especialistas que fazem parte da área de saúde mental”: psicólogos, neurologistas e psiquiatras.
É a primeira vez que um presidente dos EUA em funções se submete a essa avaliação. “Todos os dados indicam que o presidente está saudável e que continuará assim enquanto durar sua presidência”, afirmou o médico em uma entrevista à imprensa depois da avaliação da semana passada. O próprio Trump pediu o teste, depois de enfrentar várias especulações sobre sua saúde mental. A publicação há duas semanas do livro Fogo e Fúria alimentou a suspeita de que o presidente dos EUA não está capacitado para o cargo. Na polêmica obra, criada com depoimentos de pessoas do entorno presidencial, ele é mostrado como um “menino grande”, altamente instável e incapaz de prestar atenção.
Além de fazer o teste MOCA para analisar sua capacidade cognitiva, Trump também se submeteu na sexta-feira a um exame médico. Jackson afirmou que, se não abusasse tanto dos hambúrgueres, o presidente “poderia chegar a viver 200 anos”. “Tem uma incrível saúde cardíaca e acho que em grande parte isso se deve ao fato de jamais ter bebido ou fumado”, esclareceu.
FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/17/internacional/1516189393_677113.html
 

domingo, 5 de maio de 2019

Porque reatar com um(a) ex pode ser perigoso para a sua saúde mental




Se você ainda é jovem e está cheio de amor para dar, e se as estatísticas não falham, retomar um relacionamento fracassado lhe parecerá uma opção mais do que normal; 44% dos amantes de 17 a 24 anos voltam com seus ex-parceiros, e mais da metade dos que rompem continuam mantendo relações sexual com eles. As idas e vindas entre os adultos são menos habituais: só 37% dos casais que viveram juntos, e 23% dos casados, retomaram o relacionamento após a ruptura. Ainda bem.
Você pode até dar sorte na nova aventura, mas retomar um relacionamento fracassado em geral é uma má opção. É o que alerta Amber Vennum, professora de estudos familiares e serviços humanos da Universidade Estadual do Kansas, que observou que quase um quarto dos casamentos tem uma segunda parte. Seu trabalho sugere que, se você permitir, o ideal é não voltar para o(a) ex, porque o prognóstico para esse relacionamento costuma ser pouco lisonjeiro.

Você não é romântico, é que romper dói mesmo

Um histórico prolongado de rupturas e reconciliações está relacionado a um aumento de transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão. E, quando as relações de casal viram um vaivém, os níveis hormonais disparam, e há alterações no sono, apetite, temperatura corporal e ritmo cardíaco. É o que diz Trinidade Bernal Samper, doutora em Psicologia, membro do Colégio de Psicólogos de Madri e diretora dos programas de mediação da Fundação ATYME, cujo trabalho se centra na mediação de relacionamentos.
A depressão, que não é o mesmo que tristeza, fragiliza o sistema imunológico, por isso não é raro que os rompimentos sejam acompanhados de infecções, por estranho que pareça. Às vezes, a coisa se complica, e o próprio indivíduo decide se encaminhar para o abismo; adquire hábitos nocivos como o consumo de álcool, tabaco ou outras substâncias.
É compreensível querer se distanciar da realidade, pois o fim de um relacionamento afetivo “é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode sofrer”, segundo Bernal. “É carregado de uma grande intensidade emocional e acompanhado de pensamentos de continuar em contato com o outro, que costumam reavivar a dor, o ódio e as fantasias de voltar a estar juntos”, explica. Mas a realidade é teimosa, e o momento de acabar com o namoro ou casamento tem uma importância crítica. Para não se arrepender, pense duas vezes antes de tomar a decisão e analise bem os motivos que provocaram a separação.

O melhor jeito de superar o baque

Acabar de bem não é fácil, mas é preciso tentar. Bernal diz que, se for possível, convém se separar da maneira mais pacífica e consensual possível. E que dispor de um mediador e de um lugar neutro para conversar sobre os motivos da separação, e tentar que nenhum dos dois se sinta prejudicado, ajuda. “É preciso saber manter um ritmo compassado, não desaparecer da vida do outro sem dizer uma palavra, dar tempo ao que não deseja romper e, se houver filhos, poder manter as funções de pais. Terminar bem é o melhor antídoto para que a dor não se torne crônica”, sentencia a psicóloga.

A oxitocina, ou hormônio da felicidade, faz o amor virar um vício e motiva as recaídas

Uma vez que ocorreu a separação, a resposta mais normal tende a ser a imobilidade, voltar-se para dentro de si mesmo e recriar as vivências de casal através das lembranças, dos pensamentos, das fotos e vídeos. O melhor é inverter essa tendência e manter-se ativo, limpar a mente, sair com amigos, evitar tudo o que lembrar o ex-parceiro – depois, quando estivermos preparados, chegará a hora de tirá-lo do armário.
“É bom recuperar ou encontrar interesses para recuperar a vontade de viver (o ikigai, para os japoneses) e modificar os pensamentos negativos que levam à depressão, assim como evitar a autocomiseração”, recomenda Bernal. Também é importante evitar perseguir o ex-parceiro, ou seja, não ficar procurando informações sobre suas atividades nas redes sociais ou perguntando a amigos, parentes e outros círculos próximos. E sem essa de que “a fila anda” – a expressão popular pode nos atirar em um novo relacionamento sem que estejamos preparados.

Chorar e refletir, o melhor antídoto para não voltar

O amor é como uma droga, e é preciso aguentar a síndrome de abstinência. Quando a relação é continuada, o organismo segrega oxitocina, uma molécula conhecida como o hormônio da felicidade, e, ao dar-se a separação, a pessoa sente falta do seu efeito. “Como qualquer conduta dependente, pode-se recorrer a um profissional para que ele ajude a nos livrarmos do vício e a elaborar uma lista de ações rápidas para aqueles momentos em que bate o impulso de entrar em contato com o ex.”

As segundas chances não são proibidas, mas não devem ser levadas a sério

Muitas vezes basta não se reprimir para eliminar o estresse, como explica Esteban Cañamares, psicólogo especializado em relacionamentos afetivos e sexualidade do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri. Para ele, se esforçar para estar bem não vale muito, o melhor é chorar o quanto der vontade. “Cedo ou tarde, teremos uma pausa para poder voltar a nos entusiasmar”, sentencia o especialista. Agora, passada essa etapa, é preciso refletir sobre o que fracassou para não repetir o erro em futuras relações, que seguramente virão.
Quando vierem, procure que as experiências passadas não se apoderem das presentes, e leve em conta que uma ruptura nem sempre é negativa. Em alguns casos, a experiência ruim se transforma em um precioso aprendizado, como a lagarta que, após uma linda metamorfose, vira borboleta.

As segundas chances podem ser boas… às vezes

Ignasi Puig Rodas, sexólogo e psicólogo especialista em terapia de casal, considera que dar um tempo às vezes pode ser benéfico, que férias conjugais também são positivas para dar um distanciamento e rever o que não funciona. Agora, retomar o relacionamento após um curto espaço de tempo poderia indicar uma falta de reflexão e um mau presságio de futuro. A saudade e a mente nos pregam peças. Minimizamos o que é negativo e recaímos.
Em todo caso, estabelecer uma relação de amizade com o(a) ex nem sempre é tão bom sinal como parece. Pelo menos é o que indica um estudo da Universidade de Oakland, segundo o qual essa conduta esconde traços maquiavélicos, narcisistas e psicopáticos.
Mas, calma, nem todos os casos são iguais. O sexólogo conclui que isto só pode se aplicar àquelas pessoas que tendem ao jogo de nem com você nem sem você, e que têm certa necessidade de manipular os outros. Mas essa é outra história, e não exatamente de amor.
FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/12/estilo/1544626975_217600.html