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quinta-feira, 22 de março de 2012

Édipo Rei



 Édipo era filho de Laio, rei de Tebas, e de Jocasta, sua esposa: O rei soube por um oráculo que estava fadado a ser assassi­nado por um filho varão. Quando nasceu um menino, o rei entregou-o a um pastor para dei­xá-lo no monte Citeron para morrer. Entre­tanto, condoído, o pastor entregou a criança ao rei de Corinto, Políbio, que não tinha filhos. Quando Édipo chegou à puberdade e um oráculo lhe disse que mataria seu pai e formaria uma união incestuosa com sua mãe, decidiu não regressar a Corinto para junto daquele que supunha ser seu pai. Em seu caminho encon­trou Laio, a quem matou numa contenda. Quando Édipo chegou a Tebas, a Esfinge apre­sentou-lhe um enigma para que resolvesse. Édipo resolveu o enigma, e os tebanos, em prova de gratidão, deram-lhe Jocasta como esposa. Quando finalmente, através de Tirésias, desco­briu a relação existente entre ele e sua esposa, Édipo vazou os olhos, enquanto Jocasta se en­forcava. Édipo saiu de Tebas e passou a levar a vida errante de um vagabundo, acompanha­do de sua filha Antígona, sendo finalmente destruído pelas divindades vingadoras, as Eu­mênides.
Os psicanalistas encaram a situação de Édipo, como sendo uma característica humana geral. Durante a fase final da infância, a criança passa por um processo mental onde há uma mudança nos interesses sexuais. A carga energética troca de alvo, em relação aos pais. Normalmente, o menino fica principalmente ligado à mãe, a menina ao pai. A solução da luta determina o caráter das reações subseqüentes da criança. Durante o período de latência, o complexo de Édipo é normalmente abandonado, em favor de atividades e interesses extraparentais. Com o advento da puberdade, a situação edipiana infantil original é despertada de novo, sendo normalmente dissolvida pela canalização de in­teresses para outras pessoas.
Entretanto, o paciente psiquiátrico típico nunca resolve com êxito o seu complexo de Édipo. A esquizofrenia é um excelente exemplo. Um paciente esquizofrênico acreditava não ser filho de seus pais, que sua mãe era a sua esposa e que seus irmãos e irmãs eram seus filhos; sustentava que seu pai não existia. O mesmo paciente insistiu também em que era cego; em outras ocasiões, falou de ter sido castrado. O paciente esquizofrênico freqüentemente revive a tragédia de Sófocles com uma precisão de detalhes impressionante, a ponto de se atribuir um berço real.
O mesmo tema é comum em pacientes neuró­ticos, mas, com freqüência, é altamente simbo­lizado como medo, compulsão ou um fenôme­no de conversão.
Freud é responsável pela introdução do con­ceito de Édipo na psicopatologia. "Afirma-se cor­retamente que o complexo de Édipo é o con­ceito nuclear das neuroses, que ele representa a parte essencial do conteúdo das neuroses. É o ponto culminante da sexualidade infantil que, através de seus efeitos ulteriores, influencia decisivamente a sexualidade do adulto."
Referência: (Freud, S. - Three Contributions to the Theory of Sex, 1930)
Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade é um estado mental. Não há nenhuma doença ou desvio de comportamento ou perversão, como se pretendeu até a algum tempo atrás. Mas não é raro encontrar pessoas que insistam nisso mesmo no meio dos profissionais de saúde.

Em dezembro de 1973 - a APA (Associação Psiquiátrica Americana), propõe e aprova a retirada da homossexualidade da lista de transtornos mentais (passa a não ser mais considerada uma doença).

1985 - O Conselho Federal de Medicina do Brasil (CFM) retira a homossexualidade da condição de desvio sexual.

Nos anos 90 - o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) onde são identificados por códigos todas os distúrbios mentais, que serve de orientador para classe médica, principalmente, para os psiquiatras, também retirou a homossexualidade da condição de distúrbio mental.

1993 - A Organização Mundial de Saúde (OMS) retira o termo "homossexualismo" (que da idéia de doença) e adota o termo homossexualidade.

O Conselho Federal de Psicologia (CPF) divulgou nacionalmente uma resolução que estabelece normas para que os psicólogos contribuam, através de sua prática profissional, para acabar com as discriminações em relação à orientação sexual.

É importante lembrar que sob o ponto de vista legal, a homossexualidade não é classificada como doença também no Brasil. Sendo assim, os psicólogos não devem colaborar com eventos e serviços que se proponham ao tratamento e cura de homossexuais, nem tentar encaminha-los para outros tratamentos. Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para tratamento, os psicólogos não devem recusar o atendimento, mas sim aproveitar o momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem mental, motivo pelo qual não podem propor métodos de cura.

Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de definitivo foi apresentado até o momento. E penso que, se este é um estado mental, nenhuma conclusão mais será necessária a não ser esta.

Como se disse anteriormente, a homossexualidade é um estado psíquico. O indivíduo homossexual não faz opção por ser homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso e tentar viver como heterossexual. Mas isso tem um impacto negativo para o pleno desenvolvimento emocional do indivíduo. Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. O impulso sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto.

A questão de ser a homossexualidade um desvio ou não está mais ligada a fatores culturais, econômicos e religiosos. Todos sabemos que, conforme as necessidades de uma determinada cultura, os valores mudam.

Na antiguidade, entre os gregos, um jovem de doze anos, ao terminar o ensino ortodoxo, era tomado por um homem, na maior parte das vezes com mais de 30 anos, para continuar a sua educação. O termo pederastia significava amor de um homem por um jovem que já havia passado pela puberdade, mas ainda não tinha atingido a maturidade. Mas os escritos dos autores gregos daquela época parecem deixar claro que essa posição não pode ser sustentada (O Banquete, Sócrates). O ideal talvez tenha sido puro na teoria, mas nem um pouco na prática.

Entre os romanos a homossexualidade não era reprovada, mas tinha algumas regras. Por exemplo, era inaceitável que um senhor fosse passivo com seu escravo. A felação era um crime aos olhos dos cidadãos romanos. Tirando as regras que sempre existem em qualquer cultura, a homossexualidade era muito presente em Roma e praticada por todos inclusive pelos Césares. Quem gostava, praticava e quem não gostava não praticava. Ninguém interferia com ninguém.

Quando se observa os escritos antropológicos e históricos, não podemos deixar de observar que, em muitos casos, o comportamento sexual do homem é orientado política e economicamente obedecendo então os interesses do estado. Um exemplo disso é que alguns historiadores comentam que em Israel, a homossexualidade e a prostituição tiveram seus períodos de intensa ocorrência.

Passado o período que a história chama de pagão, surge a igreja católica exercendo todo seu poder sobre os homens. Tanto a heterossexualidade como a homossexualidade são condenadas. Entretanto, diante do impulso sexual a igreja passa a "tolerar" a heterossexualidade, mas joga sobre a homossexualidade, toda a sua indignação. Os castigos para os atos homossexuais na idade média eram duros. Apesar disso o homossexual era considerado apenas um perverso.

No final do século XVIII, o homossexual se torna um monstro, um anormal. Era considerado uma ofensa à criação, uma figura diabólica. A igreja estava pronta a insistir nisso. Esse é também o primeiro período em que se dá uma homossexualidade autônoma e isto ocorre sob o signo da feminilidade. Essa anomalia fazia do homossexual alguém mais exposto ao pecado e mais capaz de seduzir. Era alguém com capacidade para se aproximar dos demais e arrasta-los para o pecado.

Muitos países tinham pena de morte para a homossexualidade. Na França, quando Proust publica "Em busca do tempo perdido", onde escreve sobre a questão intrínseca da homossexualidade, ou seja, essa condição era um destino do qual os homossexuais não podiam escapar, houve uma reação social favorável. O fato de não serem perversos, mas vítima de uma condição, absolvia-os da responsabilidade moral. Era uma perspectiva triste, mas oferecia alguma proteção contra os progandistas puristas.

Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a vida em sociedade. Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. Não devemos esquecer que um homem tem inúmeros papéis em sua vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno, amigo, tem dons intelectuais ou manuais, pode ser homo ou hetero sexual. Não se pode avaliar um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer.

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