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sábado, 4 de agosto de 2012

O que é a enfermagem?



É uma ciência e uma arte. A ciência da enfermagem deseja proporcionar um corpo de conhecimentos abstratos, resultantes de pesquisas científicas e análises lógicas, e deseja ser capaz de transferir esses conhecimentos para a prática. O uso criativo e imaginativo do conhecimento para a melhoria do homem encontra expressão na arte da enfermagem.
É uma ciência empírica, cujo propósito é descrever e explicar o fenômeno central de seu interesse (o homem, indivíduo ou grupo) e de predizer a seu respeito; descrição, explanação e predição são os precursores da intervenção baseada em conhecimentos.
Cabe à enfermagem desenvolver atividades para a manutenção e promoção da saúde, bem como para a prevenção de doenças, sendo de sua responsabilidade o diagnóstico e a intervenção de enfermagem. Seu objetivo é assistir as pessoas para atingirem seu potencial máximo de saúde.
Os princípios para guiar a prática emergem do sistema conceitual, cujo fenômeno é o processo vital. A prática da enfermagem procura promover a interação sincrônica entre o homem e o ambiente, fortalecer a coerência e a integridade do corpo humano, e dirigir e redigir a padronização dos campos humanos e ambientais para a realização máxima do potencial de saúde. Saúde e doença estão submersas na totalidade sinergética do homem; desvios ao longo do eixo vital resultam da complementação sincrônica do Homem e do ambiente.
A prática é criativa e imaginativa. Está fundamentada em conhecimentos abstratos, julgamento intelectual e compaixão humana.
Os objetivos da enfermagem tomam e adicionam dimensões na medida em que conhecimentos teóricos proporcionam direções à prática. A enfermagem está se dirigindo a uma nova era: a do preenchimento das necessidades humanas.

ENFERMEIRO (Nível Superior)

Um agente de mudanças: através das atividades da enfermagem ele visa encontrar relações entre o homem e o ambiente, no processo vital. Visa incorporar novos conhecimentos e processo instrucional para encontrar uma maneira de ação. O enfermeiro de amanhã será diferente do de hoje, e o de hoje é diferente do de anos passados.
Os novos horizontes da enfermagem exigem do profissional responsabilidade de elaboração das bases científicas desta ciência em desenvolvimento. O enfermeiro deve estar motivado para acompanhar os conhecimentos e para aplicá-los, bem como para realizar investigações e pesquisas. As grandes mudanças e avanços tecnológicos que vêm ocorrendo na área de saúde estão exigindo da enfermagem ações cada vez mais arrojadas, sintonizadas com os novos tempos e os novos paradigmas.Atingir a excelência na assistência da Enfermagem apresenta-se como um caminho irreversível; caminho este que sinaliza a constante preocupação dos profissionais em buscar o aperfeiçoamento, o conhecimento disponibilizado pelas tecnologias e orientar a atuação profissional maximizando todos os recursos disponíveis. Busca-se também, alavancar a qualidade nos serviços prestados e o alto grau de satisfação dos pacientes sem perder de vista o impacto final na sua saúde.
O profissional de enfermagem precisa se conscientizar rapidamente que as necessidades dos pacientes mudaram, acompanhando uma série de alterações na vida cotidiana e no meio ambiente, bem como as contribuições advindas das ciências. O homem hoje tem sua expectativa de vida aumentada, crianças já não precisam de pais vivos para ser geradas, epidemias relâmpagos surgem e desaparecem, novas patologias são evidenciadas no dia-a-dia, assim como, aquelas que já se visualizavam como “controladas”, reaparecem.
Em contra partida, concordando com a opinião de Ruth Leigert, o profissional freqüenta um curso durante meses ou anos, ingressa no mercado de trabalho e muitas vezes não percebe que em comparação com todos os avanços, sejam eles na Medicina, Biologia, Indústria Farmacêutica, seus comportamentos frente às demanda contemporânea, precisa ser repensado. Esse repensar, assim como, a alteração de atitudes e comportamentos frente às demandas atuais, está diretamente relacionado à formação técnica, assim como à dinamização dos aspectos emocionais.
Os aspectos emocionais aos quais nos referimos, considerados no amplo contexto da enfermagem, incluem a consciência de si mesmo, maior controle da impulsividade, maior persistência e motivação, prática da empatia, zelo, habilidades sociais e resistência psicológica, conceitos esses, explicitados por Daniel Goleman em 1995, os quais nos levam a refletir o quanto necessita ser exercitados, por todas as categorias profissionais, e, no enfoque do presente artigo, pelo enfermeiro, o qual no transcorrer de sua carreira, enfrenta vários obstáculos, entre eles, as tensões, as políticas de saúde, a falta de continuidade nos projetos de assistência, os desafios do trabalho em equipe, entre outros.
Na nossa experiência profissional, temos tido a oportunidade de acompanhar o trabalho dos profissionais da área de Enfermagem (Enfermeiros, Técnicos em Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem, Coordenadores e Auxiliares Administrativos), nos mais variados turnos e locais (hospitais, laboratórios, clínicas,) e observamos que, mesmo enfrentando dificuldades, a equipe de enfermagem busca assumir a responsabilidade pela assistência ao paciente, interagindo com os outros integrantes (Médicos, Nutricionistas, Psicólogos, Assistentes Sociais), no que tange ao aspecto curativo e preventivo.
Entretanto, conflitos são evidenciados e muitas vezes, o enfermeiro fica dividido entre atender as necessidades e expectativas do grupo, ou da organização, ou mesmo às suas próprias necessidades, resultando frustrações, insegurança e insatisfação profissional.
Estes fatores dificultam o alcance da excelência, levando à reflexão e a busca de alternativas para amenizá-los/ modificá-los. Observamos que os enfermeiros estão atentos a estas questões e através da “genialidade inovadora”( associando a formação à experiência profissional e inteligência emocional), tem buscado incansavelmente, reverter essa situação.
Com foco nesse cenário, entendemos que algumas competências (emocionais e sociais básicas), podem contribuir para uma constante melhoria no desempenho dos enfermeiros, e suas interações nas equipes de trabalho, frente à complexidade das organizações de saúde . Destacando as contribuições de vários pesquisadores, entre eles, Daniel Goleman, assinalamos a seguir, aquelas que julgamos como principais para a excelência na prestação de serviços da enfermagem, assim como, maior alcance de Qualidade de Vida para os profissionais de saúde :

Auto-percepção – Identificar os próprios sentimentos e como eles interferem em nosso processo decisório. Estar atento às preferências que norteiam nossa tomada de decisão conhecendo nossas forças e fraquezas e reconhecendo sentimentos, tão logo eles surjam, para que possamos lidar de forma construtiva com os mesmos.
Controle de Emoções – Lidar bem com as próprias emoções, de forma que facilitem o alcance de nossas metas. Saber adiar a recompensa, dominando a ansiedade e a raiva, assim como, recuperando-se bem das aflições emocionais.
Auto-motivação – Mesmo frente aos fracassos e dificuldades, buscar forças interiores para continuar, com bom humor, otimismo, coragem, acreditando que as situações possam ser melhores, assim como, empreendendo ações para que efetivamente melhorem.
Empatia – Desenvolver a arte do “saber ouvir”, concentrando-se nos sentimentos das outras pessoas, buscando entender porque estão agindo de certa maneira e não de outra, contribuindo para o aflorar de ações preventivas, sintonizadas com as diferenças interpessoais, dinamizando o que há de melhor, em si mesmo e nos integrantes da equipe de saúde, do paciente, familiares, comunidade, ampliando a capacidade de perceber e sentir tendo como referencial a perspectiva do “outro”.
Habilidades sociais – Lidar bem com as emoções nos relacionamentos, interagindo com facilidade, liderando, intermediando, fazendo concessões e superando divergências, contribuindo para o aflorar da cooperação e da excelência nos processos de equipe.
Estas dimensões caracterizam a visão da Inteligência Emocional, a qual refere-se a capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, de motivar a nós mesmos e contribuir para a motivação das pessoas, assim como gerenciar bem as emoções em nossos relacionamentos sócio-profissionais. O termo descreve a capacidade distinta e complementar da inteligência acadêmica, que se compõe de capacidades cognitivas medidas pelo Q.I., ou seja, tão importante como as habilidades cognitivas, as habilidades emocionais devem ser consideradas para a excelência no desempenho das atividades do profissional da enfermagem.

II - Desenvolvimento Temático

O contexto de trabalho caracterizado pelos Centros de Estudos, Educação Continuada e apoio dos Corens (Conselhos Regionais de Enfermagem), atentos aos aspectos cognitivos e emocionais, necessários para o desenvolvimento do profissional da enfermagem, oferecem subsídios importantes para atender com eficácia as demandas atuais, as quais entre outros fatores, assinalam pré-requisitos comportamentais e atitudinais para o efetivo desempenho do profissional de enfermagem. Dentre eles, destacam-se:
Quanto às Atitudes
 Disposição para correr riscos
 Curiosidade e inquietação
 Abertura intelectual
 Pró-atividade
 Segurança
 Habilidade de perceber e lidar com pessoas
 Disposição tanto para ser estrela como para “carregar o piano”
 Atuar em equipe, interagindo de forma efetiva com pessoas de pontos de vista diferentes.
 Flexibilidade
 Adaptabilidade
 Comunicabilidade
 Capacidade de aprender
Quanto às Competências
 Concentração criativa
 Capacidade conceitual
 Domínio de línguas estrangeiras
 Multifuncionalidade
 Versatilidade
 Visão de conjunto e longo prazo
 Leitura diária
 Capacidade de mudar
 História profissional
 Habilidade social e profissional
 Capacidade de lidar com ambigüidades e incertezas
 Capacidade para usar os conhecimentos acumulados e buscar outros (novas tecnologias, informática, etc)
 Capacidade de implementar a criatividade
 Equilíbrio de vida pessoal com profissional
 Saber orientar os pacientes a lidarem com suas necessidades reais.
 Fazer com que seu trabalho adicione verdadeiro valor aos serviços, Visão e Missão da Organização de Saúde.
O desenvolvimento de tais habilidades se dá a partir da incorporação gradativa de valores por parte do profissional de enfermagem, na medida em que sua identidade profissional se constitui no decorrer de sua trajetória acadêmica, profissional e social. As atitudes e comportamentos do enfermeiro, representam suas predisposições para a ação, onde se evidencia a prática profissional, associada à conduta humanizada que evidentemente está relacionada ao comportamento emocional/social, aliado à capacidade em discriminar objetivamente os estímulos ambientais voltados aos pacientes, suas necessidades e anseios.
Observa-se que, nos dias atuais, tem havido a preocupação do profissional em atualizar-se constantemente, o que sugere mudanças nos paradigmas atitudinais e comportamentais, visando a excelência profissional e pessoal do enfermeiro.
Do exposto, tem-se que a ênfase recai, principalmente, no desenvolvimento da competência técnica/interpessoal, possibilitando ao enfermeiro adaptar-se às mudanças, para que possa aferir resultados significativos, tanto em nível pessoal quanto em nível coletivo.
A pesquisa em enfermagem, também se constitui em fator fundamental para a compreensão das dimensões da profissão. Ela deve ser cada vez mais incentivada e implementada no dia-a-dia dos profissionais da enfermagem, ressaltando que, o Século XXI trará aos enfermeiros a possibilidade de privilegiar o saber, a partilha, a criatividade e o poder do cuidado.
Dessa forma, a conduta profissional, baseada na formação, na pesquisa, na experiência, na ampla troca de informações e conhecimentos com a equipe de trabalho, focalizada nas contribuições advindas da Inteligência Emocional, deve estar orientada para um pensamento preciso, disciplinado, que procure identificar os problemas reais ou potenciais nas pessoas (caráter preventivo), formular diagnósticos de enfermagem, definir objetivos e estratégias de intervenções, bem como proceder a uma avaliação contínua de todo o processo de assistência.
Concluindo, a prática profissional do enfermeiro está envolvida com o histórico da enfermagem, mas ao mesmo tempo, com a construção de um corpo de conhecimentos que abrange o processo de aprender a aprender ligados a aspectos de ordem científica, técnica, emocional, relacional (pessoal e interpessoal), ou seja, um conjunto de atitudes e comportamentos que contemplam valores humanistas, sintonizados com a percepção do macro ambiente.
Certamente a enfermagem vive hoje momentos de desafios e mudanças (avanços tecnológicos, reaparecimento de doenças consideradas controladas e, surgimento de outras, novas exigências dos clientes/pacientes). O cenário contemporâneo assinala nas mais variadas Organizações de Saúde do Brasil, atuações profissionais no contexto da enfermagem que se situam “para além do tratar”, ou seja, além do visível e palpável e abrangem dimensões afetivas, preventivas e expressivas dos cuidados. Tais atuações, as quais os autores já tiveram por diversas vezes a oportunidade de constatar, através de pesquisas, docência, participações em congressos (nacionais e internacionais), consultorias, levam-nos a ressaltar a importância da auto-motivação dos profissionais da área de enfermagem, para que, mesmo diante das dificuldades e das situações adversas, possam transformar ameaças em oportunidades, visando desenvolver o potencial de cada um para crescer e se desenvolver, como pessoa e como profissional. A atuação do enfermeiro, no limiar do Século XXI, tem como meta o desafio de contribuir para a recuperação, manutenção, desenvolvimento da saúde dos clientes, nas mais variadas organizações, adotando posturas pró-ativas, comprometidas com o bem-estar holístico, ou seja, bio-psico-social, com foco no equilíbrio físico/ emocional / intelectual e espiritual.
Certamente, há um valor terapêutico extra quando o profissional da enfermagem esforça-se para ser empático, estar sintonizado com os pacientes, buscando desenvolver a capacidade de ouvir e se fazer ouvido, promovendo “assistência centrada no relacionamento”, valorizando cada contato interpessoal e auxiliando as pessoas a lidarem com seus sentimentos perturbadores (ira, medo, depressão, pessimismo e solidão); ao mesmo tempo, espera-se que a postura profissional contribua para o surgimento de outras emoções nos pacientes, as quais dinamizem a recuperação/promoção de sua saúde, (alegria, auto-estima, redução de tensão, assertividade, cooperação, otimismo, coragem, assumir a responsabilidade pela própria felicidade). Tal postura, além de contribuir para o bem estar do paciente, está sintonizada com o aflorar dos processos de Qualidade de Vida do profissional da enfermagem, conforme anteriormente ressaltamos, assim como, com o conseqüente desenvolvimento das organizações de Saúde frente aos desafios dos cenários atuais e futuros.
Em síntese, os autores consideram de fundamental importância o papel social do enfermeiro rumo ao século XXI, onde certamente estarão presentes as competências: técnicas, administrativas e interpessoais, como indicadores da eficiência e eficácia profissional, visando a excelência no contexto de enfermagem.

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