Mesmo quem parece estar lidando bem com a vida pode apresentar mudanças de comportamento que merecem atenção.

1. Você deixa de sentir prazer nas coisas

Encontrar os amigos, ir à academia ou assistir ao seu programa de TV favorito eram atividades que você aguardava com entusiasmo, mas agora parecem uma obrigação? Essa mudança pode ser um sinal de que algo não vai bem.

"É fácil atribuir a falta de prazer ou de interesse nos passatempos habituais à correria e ao ritmo acelerado da vida", diz Remes.

2. Você sente um peso incomum nos braços ou nas pernas

Uma sensação de peso nos braços e nas pernas, que torna os movimentos do dia a dia mais difíceis, pode ser um sinal de depressão atípica.

Esse sintoma é conhecido como "paralisia de chumbo".

3. Você cancela compromissos com frequência

Às vezes, você pode parecer na sua "melhor forma" quando está com outras pessoas, mas acabar cancelando compromissos nos dias em que seu humor piora e fica mais difícil esconder o que está sentindo.

4. Você dorme mais, mas continua sentindo exaustão

Mesmo com um cansaço cada vez maior, você pode continuar cumprindo todas as suas atividades habituais.

"As noites podem ser particularmente difíceis", diz Remes, "pois as pessoas com essa condição podem se sentir pior no fim do dia e precisar de mais sono do que o habitual".

5. Você fica mais sensível a críticas ou à rejeição

Um comentário casual do chefe ou um compromisso cancelado por um amigo pode magoar muito mais do que antes.

Segundo Remes, essa sensibilidade maior a críticas ou à rejeição é uma característica da depressão atípica. O mesmo sintoma também pode ocorrer em pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

6. Você é sempre a pessoa engraçada ou prestativa

Uma pessoa com depressão nem sempre se afasta dos outros. Muitas vezes, pode fazer o oposto: ser quem anima a festa, se dedicar intensamente ao trabalho ou se desdobrar para ajudar outras pessoas.

7. Seus pensamentos sobre si são sempre negativos

Você pode transmitir confiança aos outros, mas ser extremamente crítico consigo mesmo.

Duvidar constantemente de si, sentir que não tem valor ou ter pensamentos marcados por uma sensação de vazio são possíveis sinais de alerta. 

O que pode ajudar?

O próprio termo "depressão sorridente" recebe críticas.

Remes, da Universidade de Cambridge, afirma que embora possa ajudar as pessoas a identificar e dar nome ao que estão vivendo, a expressão também corre o risco de "simplificar demais" uma experiência complexa.

"A palavra 'sorridente' faz pensar em alegria e felicidade", diz a pesquisadora, mas "a característica central dessa condição é, na verdade, a falta de esperança, o vazio e a sensação de não ter valor".

Para Dunn, da Universidade de Exeter, um primeiro passo pode ser compartilhar, aos poucos, o que você está sentindo com alguém de confiança.

"Muitas vezes, as pessoas se surpreendem ao perceber que isso pode fortalecer os vínculos com os outros, ajudá-las a se sentir conectadas e a entender que não são as únicas a se sentir assim", diz o professor.

O especialista também recomenda procurar um médico caso você esteja enfrentando dificuldades.

"Há boas evidências de que conversar, usar medicamentos [antidepressivos] e receber intervenções sociais podem ser medidas eficazes", afirma Dunn. 
Onde buscar ajuda?

Caso você seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:

- O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento em todo o Brasil;

- Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;

- Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);

- Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;

FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c69wz5rzjvdno