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domingo, 17 de abril de 2016

Familiares de pessoas com autismo encontram em associações espaço de acolhimento e luta por inclusão

Por: Camila Kosachenco
Para conviver com uma síndrome que ainda gera mais perguntas do que respostas, o conhecimento é a principal arma usada por pais e familiares de pessoas com transtorno do espectro do autismo (TEA). Em busca de acolhimento, informação e conscientização, eles se reúnem em associações que, além de ajudar quem recebe o diagnóstico, lutam por mais inclusão das pessoas que têm a síndrome.
Foi a uma dessas organizações que a psiquiatra Luciana Bridi recorreu seis meses depois de ter a confirmação que o filho mais novo, Pedro, era autista:
– Ninguém sabe muito bem quem deve procurar, quem são os especialistas. A gente fica muito perdido. Então, tive uma indicação e conheci o Instituto Autismo e Vida, em Porto Alegre, e comecei a ter contato com outras mães e a me apropriar das informações.
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A partir daí, Luciana aproveitou sua formação em Medicina para se aprofundar no assunto e, desde o ano passado, é sócia voluntária da entidade não governamental. Hoje, ela participa das atividades da organização e ajuda outras famílias que estão passando pela mesma situação que ela já viveu:
– Sinto que estou dando para outras crianças a mesma chance que o Pedro teve, e a outras famílias, o apoio que recebi.
Fundado oficialmente em 2011, o Instituto Autismo e Vida tem uma programação que abrange palestras e bate-papos com as famílias. Uma vez por mês, a associação convida especialistas que apresentam novidades sobre a inclusão de pessoas que têm a síndrome em áreas que vão desde a música até o esporte. Nos encontros, pais que já participam do grupo atendem individualmente famílias que receberam o diagnóstico há pouco tempo.
– É uma conversa de pai para pai. As pessoas que estão atendendo já passaram pelo olho do furacão e estão na fase de reconstrução – diz Luciana.
Com a força que ganharam no passar dos anos, as associações se tornaram protagonistas nas conquistas alcançadas em prol das pessoas que convivem com o transtorno. Graças ao empenho das famílias e dos amigos envolvidos na luta pela inclusão é que hoje os autistas têm direitos garantidos pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, acordada em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU).
– Não há dúvida de que as famílias que compõem as associações de pais têm papel fundamental nas conquistas – avalia a presidente da Associação Brasileira de Autismo, Marisa Furia Silva.
Apesar dos avanços, ainda há uma luta muito grande para que a sociedade e as escolas estejam aptas a atender essas pessoas. Outro empecilho é encontrar profissionais especializados no tema:
– Também são pontos importantes viabilizar, em termos de saúde pública, diagnóstico e tratamento adequado e precoce e incrementar os financiamentos de pesquisas para equipes sérias que se dedicam ao assunto – analisa Luciana.[
Mês de mobilizações
Em 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, e diversas ações são desenvolvidas ao longo do mês. Caminhadas em parques e encontros entre pais e especialistas para falar sobre o transtorno foram algumas das atividades desenvolvidas pelo Instituto Autismo e Vida que ocorreram em Porto Alegre, Canoas e Viamão.
– É uma mobilização para que a sociedade nos perceba e para que essa visibilidade também tenha a função de movimentar a questão das políticas públicas – explica a diretora presidente do Instituto, Marilene Symanski.
Ações como essa se estendem por todo o mundo e buscam aproximar pais, sociedade e pessoas com a síndrome. Fora isso, têm papel fundamental na capacitação de profissionais para atender e identificar casos de autismo. Com o aprendizado, elas conseguem distinguir melhor todas as nuances do transtorno e antecipar o diagnóstico, considerado imprescindível para iniciar o tratamento o mais rápido possível.
– Conscientizar é importante para que profissionais da saúde entendam como são as pessoas com autismo. Há muitas associações que promovem cursos para capacitação de funcionários do governo e de familiares – avalia Marisa.
O autismo
É um transtorno neurológico que atinge o desenvolvimento infantil. Ele compromete três grande áreas: interação social, comunicação e comportamento. Pessoas com autismo têm dificuldade de comunicação e até atraso no desenvolvimento motor. As dificuldades podem variar de intensidade. Portanto, o tratamento é individualizado e deve começar tão logo se receba o diagnóstico. De acordo com dados americanos, mais de 70 milhões de pessoas no mundo têm autismo.
FONTE: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2016/04/familiares-de-pessoas-com-autismo-encontram-em-associacoes-espaco-de-acolhimento-e-luta-por-inclusao-5779161.html#

sábado, 12 de março de 2016

Pessoas contam como é conviver com o diagnóstico de um transtorno mental

Segundo a OMS, em 2020/2030, a depressão será a doença mais comum do mundo
Embora hoje sejam mais comentadas, doenças como depressão, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), bipolaridade, síndrome do pânico, esquizofrenia e depressão ainda são envoltas em medo, preconceito e ignorância.
Todas exigem tratamentos prolongados, à base de medicação e psicoterapia, em muitos casos para a vida toda. A rotina da pessoa, no entanto, não pode parar. Com as técnicas adequadas e o apoio de amigos e familiares, é possível ter um dia a dia normal e trabalhar, estudar, sair com os amigos, namorar.

A melhor maneira de lidar com essas doenças é não estigmatizá-las, mesmo porque seus índices tendem a crescer. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão, por exemplo, atinge mais de 121 milhões de pessoas no planeta e na década de 2020/2030 será a doença mais comum do mundo. A esquizofrenia atinge 1% da população em idade jovem, entre 15 e 35 anos, e tem enorme impacto social; já o TOC é o quarto diagnóstico psiquiátrico mais frequente na população.

Para Andréa Paes Favalli, psicanalista da clínica do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, a falta de informação e a demora na busca de orientação e tratamento pode agravar a situação e provocar atitudes extremas, como violência familiar e mesmo suicídio.

"A vida deve seguir seu fluxo normal. Estudo, trabalho, relacionamento amoroso, convivência familiar e social compõe o projeto de vida dessas pessoas", fala. "Quem está próximo pode tanto ajudar quanto dificultar muito o tratamento. É preciso ter empatia por aqueles que estão em sofrimento psíquico profundo e levá-los a sério, auxiliando-os a encontrar o equilíbrio e incentivando o tratamento", declara Roberto Rosas Fernandes, psicólogo, analista junguiano pela SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica) e pós-doutorando em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo).

A seguir, quatro pessoas com transtornos mentais contam como convivem com o diagnóstico de transtorno mental. 

Robinson Vieira, 30, representante comercial

"Sabe o personagem do Jack Nicholson no filme 'Melhor É Impossível'? Ele me representa. Tenho TOC e durante um tempo precisei me guiar por alguns padrões para me sentir confortável. Tentava não pisar nas rachaduras ou linhas das calçadas. Lavava as mãos diversas vezes por dia e, por força do hábito, ainda carrego comigo um frasco de álcool gel e um pacote de lenços umedecidos. Dificilmente usava um banheiro fora de casa e isso já me custou uma das maiores humilhações da minha vida. Quando fiz um estágio, tinha nojo do banheiro do escritório e evitava entrar lá a todo custo. Um dia, não aguentei e acabei urinando na calça. Apesar da vergonha, foi esse episódio, que aconteceu há cinco anos, que me levou a fazer tratamento psiquiátrico e terapia. Aprendi a identificar e a combater situações de ansiedade. Às vezes, em circunstâncias estressantes, ainda me pego falando mentalmente alguma frase ou palavra, repetidamente, para me acalmar, mas sinto que estou melhor. No trabalho, nem todo mundo sabe da minha condição, mas não ligo se isso vier à tona porque sou um profissional respeitado. Minha família e meu namorado me apoiam. Tento levar uma rotina normal, apesar de saber que o tratamento vai durar por muito tempo. Uma coisa que me ajuda muito é o esporte. Jogo tênis e me sinto mais tranquilo depois de uma partida."

M.C.F.S., 25 anos, auxiliar administrativa

"Fui diagnosticada há pouco tempo com síndrome do pânico e estou em tratamento. Ninguém no meu trabalho sabe, nem pretendo contar. As pessoas são preconceituosas e o ambiente da empresa é muito competitivo. Revelar o transtorno significaria me tornar vulnerável e ser tachada de louca pelos demais. Tive algumas crises no ano passado, mas somente uma delas aconteceu no escritório. Comecei a sentir falta de ar, o coração disparou, fiquei pálida e nauseada. Cheguei a vomitar e foi a maior sorte, porque, embora não soubesse o que estava havendo comigo, pude mentir dizendo que havia comido algo que não caiu bem na véspera. Sempre fui ansiosa, mas os ataques de pânico provocaram uma grande mudança na minha vida. Hoje evito lugares fechados e muito movimentados. Raramente saio de casa nos fins de semana e meu pai passou a me dar carona para o trabalho, tanto na ida quanto na volta, todos os dias. Moro muito longe da empresa, já fui assaltada no trânsito e tenho receio de sofrer uma crise ou um acidente. Estou muito triste com a situação, mas confiante que, com acompanhamento médico, voltarei a ter uma vida normal. Tenho de acreditar."

Maria Cleusa Novais, 44, professora

"Sou bipolar, mas levo uma vida 100% normal. Não fico anunciando que tenho a doença aos quatro ventos, porque a bipolaridade é carregada de estigmas. Mulher já tem fama de louca, não é? Algumas pessoas sabem, como parentes, meu marido, minha filha e os amigos mais chegados. Porém, acho que não é o tipo de informação que precisa ser divulgada. Prefiro me resguardar. Se alguém perguntar, confirmo. Lógico que já sofri poucas e boas, mas, desde que iniciei o tratamento, há dois anos, eu me sinto bem. A última crise foi há um ano e oito meses, quando o médico ainda estava acertando a medicação, mas aconteceu de forma branda. No episódio mais forte, cheguei a avançar na minha chefe por causa de uma piadinha sobre TPM. A irritação se alternava com depressão e uma tremenda euforia. Quando me sentia eufórica, falava sem parar, ninguém me segurava. Entrei de licença médica no começo do tratamento, mas optei por pedir demissão para me cuidar. Procurei me alimentar bem, dormir regularmente e tentar canalizar os picos de energia para atividades físicas. Estou em um novo emprego há seis meses e me sinto feliz. Aceitar o problema e tentar encará-lo com leveza é o meu lema."

V.P.M., 24 anos, estudante

"O que mais me incomoda são os risos, as gozações. Em um surto, passei horas falando com a televisão. Em outro, ouvia vozes na minha cabeça me dizendo para fazer coisas terríveis. Não sei se o fato de ter consumido drogas na adolescência agravou meu caso, porque não há nenhum outro caso de esquizofrenia na minha família. Estou em tratamento, mas é muito difícil. A sorte é que tenho o apoio e o amor incondicional da minha mãe. Meus amigos se afastaram. De vez em quando, mandam mensagens, mas apenas um me visita. Quero ter uma vida normal, mas não sei quando isso vai acontecer. Pretendo voltar para a faculdade no ano que vem."
FONTE: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/03/11/pessoas-contam-como-e-conviver-com-o-diagnostico-de-um-transtorno-mental.htm

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Existência



24 hours - Joy Division.



So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.

Oh how I realized how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment I thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.

Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.

I never realized the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.

Now that I've realized how it's all gone wrong,
Gotta find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.
FONTE: https://www.letras.mus.br/joy-division/109507/traducao.html

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O que é um transtorno mental?

Transtornos mentais são alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, na vida social, na vida pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral.
Transtornos Mentais como a ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, dependência química, demência e esquizofrenia, podem afetar qualquer pessoa em qualquer época da sua vida. Na realidade, elas podem causar mais sofrimento e incapacidade que qualquer outro tipo de problema de saúde.
Os transtornos mentais, em geral resultam da soma de muitos fatores como:
• Alterações no funcionamento do cérebro;
• Fatores genéticos;
• Fatores da própria personalidade do indivíduo;
• Ação de um grande número de estresses;
• Agressões de ordem física e psicológica;
• Perdas, decepções, frustrações e sofrimentos físicos e psíquicos que perturbam o equilíbrio emocional;
Podemos então afirmar que os transtornos mentais não têm uma causa específica, mas que são formados por fatores biológicos, psicológicos e socioculturais.
Os Transtornos Mentais são tratáveis e respondem favoravelmente ao tratamento médico e outros tratamentos, como tantas outras doenças somáticas. O problema da doença mental é que o preconceito pode dificultar a busca de ajuda pela pessoa que sofre e também atrapalhar para que outros a auxiliem.
Os transtornos mentais são tratados, de uma maneira geral, com uma associação de meios psicológicos e medicamentos (psicofármacos). 
Algumas condições não requerem o uso de medicamentos e são tratados apenas por meios psicológicos. Caberá ao profissional que faz o diagnóstico ao ter o primeiro contato com o paciente, fazer a indicação de que recursos serão necessários para a recuperação de sua saúde mental.
FONTE: http://www.maiaprime.com.br/o-que-e-transtorno-mental/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quais os sinais de acumulação compulsiva


O acumular de bens, animais ou de objetos, que por vezes são até provenientes da rua ou do lixo, para uma eventual utilização futura pode parecer uma situação estranha, mas é o sintoma de uma perturbação que afeta inúmeras pessoas e muitos idosos que vivem sozinhos, isolados e em situações precárias. Saiba quais são os sinais de acumulação compulsiva e como poderá obter ajuda para os tratar.

O que é a acumulação compulsiva

A acumulação compulsiva ou acumulação patológica ou disposofobia, consiste na aquisição ou recolha ilimitada de bens ou objetos que, por vezes, já foram deitados pelos outros ao lixo. As pessoas que sofrem desta perturbação, maioritariamente idosos, acumulam tudo o que podem para mais tarde conseguirem dar uma resposta eficaz a uma eventual emergência. Além disso, são incapazes de usar ou deitar fora os objetos ou bens mesmo quando eles são inúteis, perigosos ou insalubres.
A acumulação compulsiva também é conhecida como Síndrome de Miséria Senil ou Síndrome de Diógenes, devido ao filósofo grego, Diógenes de Sinope, que vivia como um mendigo, dormia num barril e recolhia da rua inúmeros objetos sem valor. Trata-se de uma perturbação que conduz ao isolamento social, diminui a mobilidade e interfere com a realização das tarefas mais básicas do dia-a-dia, como a alimentação de um idoso, a forma de se vestir e a sua higiene pessoal.
O acumulador compulsivo no seu extremo é por vezes apelidado de “colecionador de lixo”, uma vez que reúne determinados artigos que produzem maus cheiros e estes atraem insetos e roedores. Essa pessoa também poderá juntar livros, revistas, ferramentas, recipientes, metais, móveis, eletrodomésticos, entre outros materiais, correspondendo à imagem dos sem-abrigo que juntam todo o tipo de velharias. Também é de realçar que um acumulador compulsivo pode reunir um número exagerado de animais de estimação e, na maioria das vezes, não tem como os alimentar nem como os abrigar corretamente.
Para entender como os acumuladores compulsivos chegam a este ponto, é necessário perceber o funcionamento da desordem mental, tentando compreender que, para as pessoas afetadas, nenhum dos objetos recolhidos é lixo.

Porque é que as pessoas acumulam compulsivamente

A acumulação compulsiva é sintoma de uma doença mental, nomeadamente um transtorno de ansiedade que muitos especialistas afirmam ser um transtorno obsessivo compulsivo. Trata-se de uma perturbação que é definida por três características principais:
  • A coleção obsessiva de bens ou objetos que parecem inúteis para a maioria das pessoas
  • A incapacidade de se livrar de qualquer um dos objetos ou bens recolhidos
  • Um estado de aflição ou de perigo permanente
Tal como a maioria dos comportamentos obsessivos, a acumulação compulsiva começa de uma maneira lenta e desenvolve-se de uma forma progressiva. Por exemplo, uma pessoa pode pensar que a informação que surge no jornal de hoje pode ser muito útil num momento posterior e, como tal, vê-se obrigada a guardar o respetivo jornal. Posteriormente, pode considerar que, acidentalmente, colocou algo de valioso no lixo e mantém esse saco de lixo em casa. E a partir daí pode passar a colecionar todos os objetos ou animais que encontra na rua, de modo a atenuar os seus sintomas de ansiedade.
A acumulação compulsiva pode ser um indicador de um enorme sentido de responsabilidade ou medo de errar, pois é uma forma das pessoas se auto pressionarem para fazerem tudo bem feito.

Quais os sinais de acumulação compulsiva

Uma sala cheia de livros ou de animais de estimação não significa que uma pessoa seja um acumulador compulsivo. A acumulação compulsiva interfere com os passatempos e atividades do dia-a-dia e faz com que os seus pacientes queiram ficar isolados, sem ver outras pessoas. Normalmente, eles vivem em condições anti-higiénicas, são pessoas deprimidas, por vezes incapazes de cuidar de si próprios e acabam por ficar muitas vezes doentes. Existem determinados sinais que indicam que uma pessoa sofre de acumulação compulsiva. Dos mais importantes, destacam-se os seguintes:
  • Recolher bens e objetos que as pessoas deitam fora e ser incapaz de se livrar deles
  • Viver em condições insalubres
  • Ser incapaz de usar as divisões da casa para a finalidade pretendida (cozinha para cozinhar, casa de banho/banheiro para cuidar da higiene pessoal, quarto para dormir)
  • Ter muitos animais de estimação à sua responsabilidade e não estar a cuidar deles da melhor maneira
  • Classificar objetos de valor como sucata ou lixo e amontoá-los em pilhas
  • Muitas pessoas repararem que existe algum problema psíquico
  • O acesso à casa estar bloqueado
Tenha em atenção que, ao fazer uma limpeza geral à casa de um acumulador compulsivo, ele vai ficar com uma sensação de vazio e perda muito grande, o que vai fazer com que recolha tudo de novo e em maiores quantidades. Para que tal não aconteça, deve procurar ajuda especializada, pois existem formas de ajudar as pessoas a superarem esta compulsão.

Quais as causas da acumulação compulsiva

A acumulação compulsiva é uma perturbação mental que não nasce com a pessoa, mas podem existir traços de personalidade que conduzem ao seu aparecimento. Alguns desses traços revelam-se com a morte de um familiar, dificuldades económicas, conflitos pessoais ou profissionais ou, no caso dos idosos, por vezes com o facto de não se saberem ajustar à reforma ou solidão. Apesar da maioria dos casos surgir nos idosos, esta desordem também pode afetar pessoas mais novas, principalmente as pessoas que sofrem de esquizofrenia ou de uma doença obsessiva compulsiva.

Como tratar a acumulação compulsiva

Para o acumulador compulsivo não existe nenhum erro ou problema com o seu comportamento. No entanto, esse sintoma faz parte da doença. A acumulação compulsiva é um transtorno mental que foi reconhecido recentemente e a pesquisa acerca dos melhores tratamentos está apenas a dar os primeiros passos. No entanto, alguns métodos têm tido um sucesso assinalável, como a terapia cognitivo-comportamental e a medicação adequada.

A terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva, nomeadamente as raízes da ansiedade. Ao fazê-lo, é possível mudar aos poucos a mentalidade da pessoa afetada. Esta terapia pode ser muito demorada (meses ou anos) e exige grande dedicação ao processo de recuperação, mas permite que um acumulador compulsivo readquira hábitos de vida normais.

A medicação

A terapia é muitas vezes combinada com a medicação, o que ajuda a maximizar os resultados. Atualmente, os produtos farmacêuticos utilizados no tratamento da acumulação compulsiva são aqueles que são usados para ajudar os pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, isto é, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e outros antidepressivos.
FONTE: http://cuidamos.com/artigos/quais-sinais-acumulacao-compulsiva-como-obter-ajuda