Psicóloga Noely Correa e a Coordenadora de Cuidado de Idosos Laiza Ferreira de Alcântara
No dia 16.6.2023, aconteceu a
ação no Centro de Ensino Profissional Graziela Reis de Souza e na oportunidade ocorreu a
palestra ministrada pela Psicóloga Noely Correa Souza Pereira, com apoio de
Edeilson da Silva Ramos. O tema apresentado para um grupo de 100 participantes
foi: “Cuidando do Cuidador: Aspectos Psicológicos para manter o equilíbrio
emocional".
Na equipe de escuta Psicológica contamos com a participação das
psicólogas Kissia Tamires, Diomar Santos e Ana Praseres.
A
experiência foi incrível e oportuna para discutir com o grupo pontos
importantes do autocuidado. Como atentar-se para a própria saúde mental é o
primeiro passo antes de se responsabilizar pelo outro, condições e dimensões do
cuidar, dimensões emocionais, dimensões relacionais. Também trabalhamos o viés
profissional da saúde (é aquele que cuida e merece ser cuidado) etc.
Durante a palestra os presentes
participaram com afinco de todos os pontos discutidos e deram exemplos de vida e
profissionais o que enriqueceu significativamente o momento. E para finalizar a
Psicóloga Ana Mira Praseres mediou um momento de relaxamento dando oportunidade
de os participantes refletirem sobre seu futuro. Esses momentos de troca
enriquecem bastante a aprendizagem de todos que estão nesse processo.
Dessa experiência resultou na construção
de um grupo de WhatsApp dos futuros Cuidadores de Idosos, que no momento oportuno
participaram de eventos referente a temáticas voltadas para a categoria, ou
seja, serão profissionais que trarão em seus currículos uma formação
diferenciada. As formações serão trabalhadas pela Psicóloga Noely Corrêa e
parceiros.
Na
sexta feira dia 16 de junho, no Centro de Ensino Profissional Graziela Reis de Souza, a clínica Sistêmica Instituto da Mente através de seus
profissionais Noely Correa, Ana Mira Praseres e Edeilson Ramos, participou com Escuta
Ativa e palestra ministrada pela Psicóloga Noely Corrêa com o objetivo de
promover ações para a preservação da qualidade de vida dos cuidadores, a
importância de olhar para o este profissional que desempenha um papel
fundamental no contexto da saúde do idoso, e que esse profissional precisa estar bem emocionalmente
para execução das tarefa que lhes compete.
Seu principal objetivo é fornecer
assistência física, emocional,social, e
ajudar o idoso a realizar atividades diárias requer do cuidador esforço
físicoe emocional precisa de orientação
e suporte dos profissionais da saúde para o idoso e para ele próprio,
orientação para a atenção com sua saúde mental, onde ele é convidado a
desenvolver habilidades de autoconhecimento, autorregulação emocional,
autocontrole e sensibilidade social para manter o seu próprio bem estar.
É de
suma importância a ampliação de ações que tenham o cuidador como sujeito
principal, para que essa atividade seja reconhecida e investida em práticas
adequadas, trazendo benefícios para quem cuida e quem é cuidado. O Centro de Ensino Profissional Graziela Reis de Souza, além de formar traz consigo a responsabilidade de contribuir com
palestras e outras ações para ajudar estes profissionais à estarem bem.
Foi realizado no dia 16 de junho de 2023 no Centro Graziela Reis de Souza, uma ação social envolvendo o corpo discente e docente da Instituição. Na oportunidade houve a palestra: Cuidando do Cuidador, no aspecto psicológico, com a participação das Psicólogas Noely Corrêa e Ana Praseres. Na Esculta Psicológica estiveram presentes o Psicólogo Edeilson da Silva Ramos, Kissia Tamiris da Silva e Diomar dos Santos Barros.
Alguns dizem que é uma emergência de saúde pública — e os números certamente indicam que algo está acontecendo.
As adolescentes nos Estados Unidos estão experimentando níveis sem precedentes de tristeza e ansiedade.
Um
estudo do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC), com dados de
2021, indica que quase três em cada cinco meninas adolescentes relataram
sentir-se constantemente tristes ou sem esperança, o que representa um
aumento de quase 60% em relação a 2011, quando 36% das mulheres jovens
disseram que se sentiam assim.
No
caso dos meninos também houve piora, mas bem menor, já que o número dos
que relataram esses sentimentos negativos passou de 21% para 29% no
mesmo período.
Outro
indicador preocupante do estudo é o aumento do número de adolescentes
que consideraram seriamente o suicídio: uma em cada três, o que
representa um aumento de quase 60% em relação a 2011 e o dobro do número
de meninos (14%).
Embora
as autoridades de saúde apontem que o alto risco de suicídio,
depressão, uso de drogas e outros problemas em adolescentes pode
responder a uma mistura de vários fatores, os especialistas destacam o
papel das redes sociais na deterioração da saúde mental dos jovens .
Entre
esses especialistas está Donna Jackson Nakazawa, escritora
especializada em neurociência, imunologia e emoção, que, no final de
2022, publicou o livro Girls on the Brink ("Garotas no Limite", em tradução livre; sem edição brasileira), no qual explora essa situação.
Nesta
conversa com a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, a autora
explica as causas biológicas, sociais e culturais por trás do aumento
chocante do número de adolescentes com problemas de depressão e
ansiedade nos Estados Unidos.
BBC
News Mundo - O diretor-geral de saúde dos EUA, a mais alta autoridade
do país na área, emitiu um alerta sobre os efeitos negativos que as
redes sociais podem ter na saúde mental dos jovens. Em seu livro Girls on the Brink, você aponta que a situação é muito pior para as meninas. Por que isso acontece?
Donna Jackson Nakazawa - O
estresse acumulado ao longo do desenvolvimento é muito difícil para
todos os jovens. Quando há muito estresse não mitigado, começam a
ocorrer mudanças em áreas do cérebro como o córtex pré-frontal e o
hipocampo, onde abrigamos nossas memórias.
Também há mudanças na área que chamamos de rede neural padrão,
associada ao nosso senso de quem somos no mundo. Somos uma boa pessoa?
Temos oportunidades? Como lidamos com essa narrativa sobre nós mesmos?
Acreditamos em nós mesmos? Sentimo-nos desesperados ou tristes? Além
disso, vemos mudanças na amígdala, aquela área em forma de amêndoa na
parte superior do cérebro. Isso é como uma central de alarme e é
diferente em meninas e meninos. Lembre-se de que isso ocorre diante de
um estresse incessante.
Nas
meninas, vemos sua amígdala crescendo e associamos isso a ruminar, a
ficar presa aos mesmos pensamentos e repeti-los. As diferenças são
sempre mostradas nas áreas do cérebro mais relacionadas à execução de
ações.
Agora
inclua as redes sociais. As meninas estão mais nas redes sociais do que
os meninos. Sabemos que, mesmo que passem o mesmo tempo online que os
homens, é mais provável que acabem se sentindo deprimidas, ansiosas, sem
esperança e persistentemente tristes.
Em
parte, isso tem causas externas. O que as meninas encontram nas redes
sociais tem um teor muito mais sexista. É mais provável que sejam
informações sobre seus corpos, seus rostos, sua pele, suas roupas, como
elas se comparam fisicamente a algum falso ideal feminino sob o olhar
masculino do que é perfeição, do que é aceitável e do que não é. Então a
carga que elas recebem é maior.
Elas
também são mais propensas a enfrentar essa dicotomia de (como me
disseram milhares de garotas em todo o país) "se eu quiser ser popular,
tenho que ser sexy e se eu quiser ser sexy, mesmo que eu tenha 11 ou 13
anos, tenho que fingir que sou sexualmente madura. Mas, quando faço
isso, também tenho esse bando de caras nojentos que me sexualizam como
se eu fosse uma mulher adulta." Elas são assediadas online, são alvos de
comentários. Conversei com muitas jovens. Elas não querem estar online
do jeito que estão. Elas querem a ajuda de um adulto para se
desconectar.
As redes sociais mais populares agora, como TikTok e Instagram, postam
vídeos e imagens. E as imagens têm um impacto muito mais rápido do que
as palavras no cérebro em desenvolvimento.
Há
muitas pesquisas que mostram que, quanto mais você vê algo que é
popular na internet, mais isso te dessensibiliza. E isso desliga o
filtro de prevenção do cérebro que diz aos jovens que algo pode ser
ruim. É provavelmente por isso que, como disse o diretor-geral de saúde
dos EUA, quando os jovens veem na internet alguém que se automutila, é
mais provável que imitem e reproduzam esse comportamento.
BBC News Mundo - Que outros efeitos isso tem no cérebro das meninas?
Nakazawa - Vamos
voltar ao que eu disse sobre ruminar. Os cérebros das meninas são mais
propensos a ficar presos nesse processo. Quando você está sob estresse
na vida adulta, há mudanças em seu corpo que levam a uma série de
inflamações em cascata. O cérebro e o corpo produzem mais substâncias
químicas e hormônios do estresse. E com o tempo, quando permanecem
elevados, começam a produzir mudanças que podemos ver nas varreduras
cerebrais: mudanças na conectividade cerebral nas áreas importantes que
mencionei. E não queremos ver isso.
Quando
você rumina sobre um evento — sofrer bullying online, comentários sobre
seu corpo ou ser excluída de círculos sociais, por exemplo — e o
repassa para sua mente, o efeito é como se ainda estivesse acontecendo:
seu corpo e seu cérebro absorvem o golpe como se estivesse acontecendo
em tempo real.
Ameaças
sociais são particularmente prejudiciais para o cérebro em
desenvolvimento porque, durante a maior parte de nosso tempo evolutivo
como humanos, precisamos de muita cooperação e comunicação para
conviver, sobreviver e criar nossos filhos. Ser desprezado ou condenado
ao ostracismo era fisicamente perigoso porque significava a
possibilidade de ser deixado de fora da tribo, tornando mais provável
que você fosse vítima de predadores. O sistema imunológico entrava em
frenesi ao estar tão exposto.
Assim,
nosso sistema imunológico desenvolveu o primeiro sinal de uma ameaça
socioemocional. Essa "cascata" de hormônios e substâncias químicas de
que falei acelera o sistema imunológico para que causem danos ao corpo e
ao cérebro ao primeiro sinal dessa hostilidade social. E o que são
redes sociais? Uma repetição daquela possível hostilidade social,
acontecendo o tempo todo.
Os
algoritmos das redes existem para fisgar o cérebro com algo que te
mobilize, para que você volte sempre, para buscar a possibilidade de
pertencimento. Mas você é dominado repetidamente por sentimentos de não
pertencimento, de não se importar, de raiva, de desdém. E, como as
meninas passam mais tempo nessas plataformas, isso se reflete em
pesquisas como o relatório do CDC: 57% das meninas relatam que se sentem
persistentemente tristes e sem esperança.
BBC
News Mundo - Como esse quadro atual se compara com dados anteriores? E
que outro fator poderia piorar tanto a situação das meninas?
Nakazawa -Entrando
na puberdade, sempre houve uma disparidade na qual as meninas são mais
propensas a desenvolver depressão do que os meninos. Isso já acontecia
antes mesmo das redes sociais. Isso ocorre em parte porque os hormônios
entram em ação na puberdade, e o estrogênio aumenta a resposta ao
estresse de uma forma que a testosterona não faz.
Muitos
estudos mostram que as mulheres desenvolvem uma resposta maior ao
estresse. Elas têm uma resposta maior às vacinas e são mais propensas a
desenvolver doenças autoimunes do que os homens. E parte da razão é que a
resposta feminina ao estresse na puberdade é intensificada pelo
estrogênio. Isso também tem um efeito protetor, para que um dia possam
carregar outra vida humana dentro de si.
Você
mencionou os aspectos negativos que afetam as meninas, mas li que você
disse que o cérebro das adolescentes também pode se tornar um
superpoder.
Quem
já criou uma adolescente sabe que elas têm um sexto sentido
completamente inigualável. São as garotas que podem olhar ao redor de
uma sala com uma espécie de "sentido aranha" e saber exatamente o que
está acontecendo. E sabemos que no cérebro feminino adolescente o corpo
caloso que conecta os dois lados do cérebro é realmente espesso e rico. O
cérebro adolescente feminino se desenvolve um pouco mais cedo do que o
masculino.
O
que é realmente sensacional é que, quando removemos algumas das coisas
que estressam nossos filhos e as substituímos por segurança psicológica,
o cérebro nessa idade é extremamente plástico, aberto a possibilidades e
pronto para disparar e se conectar novamente.
Para
fazer isso, à medida que esses estressores psicológicos aumentam, temos
que construir mais segurança psicológica e tornar o mundo real — a
conexão conosco mesmos, com os adultos em suas vidas, com seus
professores, com suas comunidades — mais profundo. Já conversei com
milhares de garotas e posso dizer o seguinte: mesmo para uma garota
muito querida, o senso de quem ela no mundo e para as pessoas é
diminuirá com o tempo se ela ficar muito na internet.
Queremos
ajudar nossos filhos a parar de ruminar, a não ficarem presos em um
pensamento, por isso queremos garantir que eles tenham as habilidades
para fazer isso. Quando falo com garotas em minhas conferências, sempre
digo a elas: "Você precisa se perguntar, o que seu corpo significa? Do
que sua mente precisa?" Nós realmente queremos expandir as habilidades
de nossas filhas para reformular seu pensamento.
O
mindfulness [atenção plena], o mover de seus corpos, a avaliação de
seus sistemas nervosos . Nas conferências, todos querem que eu fale
sobre resiliência. Bem, resiliência é realmente estar ciente do estado
em que seu corpo está. Como está meu sistema nervoso? Estou realmente
estressado? Estou ativado ou estou calmo e em paz? Reconheça esse estado
e então tenha ferramentas para retornar a um estado de bem-estar.
E
queremos construir essas ferramentas que podem incluir qualquer coisa,
desde conversar com um adulto ou mentor, fazer ioga, meditar, correr,
caminhar na natureza, fazer um diário e respirar fundo.
Queremos
garantir que eles tenham essas habilidades para avaliar seu sistema
nervoso, descobrir o que desejam e o que precisam para voltar a um
estado de bem-estar. Eles precisam de nós, porque pegam emprestado nosso
estado de estresse. Eles pegam emprestada nossa neurobiologia. A
frequência cardíaca dos jovens se alinha com a dos adultos ao seu redor.
Eles começam a se acalmar, quando nos acalmamos, mas também precisamos
ensiná-los a ter essas habilidades.
As
meninas precisam ser ensinadas a responder a vozes sexistas porque esse
é um estressor que elas enfrentam e é amplificado online, como ter um
tio que faz piadas sexistas. Existem estudos em faculdades e escolas de
ensino médio que mostram que quando as meninas aprendem a responder — em
ambientes onde podem fazer isso com segurança porque nem sempre é o
caso, como sabemos pela violência contra as mulheres — elas se saem
melhor, se sentem menos desesperadas, menos tristes.
A
educação sobre as mídias sociais precisa ser desenvolvida. A coisa mais
importante e útil que podemos fazer para ajudá-los a se desconectar é
fazê-los pensar criticamente: Por que esses posts no TikTok que tiram sarro dos
corpos das meninas? Por que as contas das garotas que se sexualizam são
tão populares? O que há de errado nisso? Como elas se sentem depois de
usar esses aplicativos? Você se sente melhor consigo mesma? Você sente
mais medo? Você se sente mais sozinha?
As
redes sociais são projetadas para produzir grandes emoções. E eles
favorecem falsidades positivas e negativas. No primeiro caso, parece que
está tudo ótimo: “Olha como eu sou linda, meu mundo é maravilhoso”. Na
segunda, focam no negativo, nas divisões, na vergonha, no cancelamento
das pessoas.
Quando
estiverem online, ajude-as a entender bem como se sentem em resposta ao
que veem. A vida dessas pessoas é sempre tão positiva? Como isso faz
você se sentir sobre si mesmo? Você acha que é verdade? Ajude-os a
avaliar seu sistema nervoso, porque se você se sentir deprimido e sentir
que não está preparado para isso, se você se sentir feio, não é bom o
suficiente ou está sendo social ou emocionalmente excluído, isso irá
acelerar seu sistema imunológico em maneiras que são muito ruins para o
cérebro e isso é um sinal de que você está sendo usado.
Por
fim, seu
telefone não precisa ser seu relógio e despertador. Temos que recuperar a
vida familiar normal longe da tecnologia.
Nos
anos 1990, algumas empresas farmacêuticas começaram a usar a expressão
"personalidade adictiva" — talvez ironicamente, para promover medicações
anestésicas que causam dependência.
Na
campanha de marketing para o opioide controlado OxyContin, por exemplo,
a companhia farmacêutica americana Purdue Pharma instruiu seus
representantes a dizer aos médicos que apenas pessoas com "personalidade
adictiva" corriam risco de desenvolver dependência, mesmo sabendo que a
droga era altamente viciante e que o abuso da substância era frequente.
Drogas
que são fortes causadoras de dependência, como o OxyContin e o opioide
fentanil, são consideradas responsáveis por alimentar a crise dos opioides nos Estados Unidos, que causou mais de meio milhão de mortes entre 1999 e 2020.
A
ideia de que a sua personalidade determina se você vai desenvolver ou
não dependência em relação a uma substância "atendia muito bem a
indústria farmacêutica", afirma Ian Hamilton, professor especializados
em vícios da Universidade de York, no Reino Unido.
"A
mensagem é: 'Se você é fraco o suficiente para desenvolver um problema
com o nosso produto, é devido à sua personalidade, não tem nada a ver
conosco."
Mas essa personalidade adictiva existe na realidade? Existem pessoas que realmente são mais propensas a desenvolver dependência?
Muitos
psiquiatras e especialistas em dependência afirmam que não há
evidências científicas que sustentem essa ideia. Eles também alertam que
este é um conceito prejudicial, pois indica que as pessoas têm pouco ou
nenhum controle sobre a dependência.
Eles
ressaltam que há algumas relações entre certos traços de personalidade e
a adicção, mas que elas são muito mais complexas do que o indicado
frequentemente pela expressão "personalidade adictiva".
Sintoma de outros problemas
O
renomado professor de dependência comportamental Mark Griffiths, da
Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, descreve a "personalidade
adictiva" como um "completo mito".
"Para
haver algo como a personalidade adictiva, o que você está dizendo é que
existe uma característica que prevê a adicção e somente a adicção",
afirma Griffiths.
"Não há evidências científicas de que haja uma característica que preveja a adicção e somente a adicção."
A
personalidade adictiva "é uma forma de pensar preto no branco sobre
algo que é muito complexo", diz o psiquiatra Anshul Swami, especialista
em saúde mental e dependência do Hospital Nightingale, em Londres.
"Não existe um tipo de personalidade [que preveja a adicção], e não há dois dependentes iguais.”
Isso
não quer dizer que certas características de personalidade não estejam
associadas "à aquisição, desenvolvimento e manutenção de comportamentos
adictivos", afirma Griffiths.
O
neuroticismo, por exemplo, costuma ser associado a muitas formas de
dependência. O neuroticismo é um dos Cinco Grandes traços de
personalidade. Ele define até que ponto uma pessoa reage a ameaças
percebidas e situações de estresse.
Pessoas altamente neuróticas são ansiosas e propensas a ter pensamentos negativos.
Segundo uma análise de 175 estudos,
os transtornos de abuso de substâncias são associados a altos níveis de
neuroticismo e baixos níveis de conscienciosidade (até que ponto uma
pessoa demonstra autocontrole). E pesquisas concluíram
que vícios de comportamento, como a compulsão por compras e a
dependência da internet e de exercícios físicos, também são associados
ao neuroticismo.
Para
ele, "as pessoas tendem a adotar comportamentos adictivos ou usar
substâncias como forma de gerenciar seus traços neuróticos. A maioria
das dependências é questão de lidar [com as situações], e elas são
sintomas de outros problemas subjacentes, como a depressão ou o
neuroticismo."
Mas Griffiths afirma que não existem pesquisas que demonstrem que todas as pessoas com dependência sofrem de neuroticismo.
"O
que você vê são altos índices de depressão ou ansiedade entre as
pessoas que se tornam dependentes de drogas. Mas passa a ser a questão
do ovo e da galinha", afirma.
"Foi
o neuroticismo que levou a pessoa para a droga ou a sua dependência de
cocaína por um longo período de tempo prejudicou o seu estado de
espírito?"
Para Swami, as dependências "têm muitas nuances e fatores".
Pesquisas
indicam que as dependências podem ser influenciadas pela genética e por
uma ampla variedade de fatores ambientais, incluindo a pressão dos
colegas, exposição precoce a substâncias e abusos físicos ou sexuais.
Um estudo de 2018
concluiu que o antigo retrovírus HK2, que fica próximo do gene
envolvido na liberação da substância dopamina, é mais frequentemente
encontrado em dependentes de drogas.
Os
pesquisadores concluíram que pessoas que sofrem de transtornos de abuso
de substâncias apresentam de duas a três vezes mais chance de ter o HK2
integrado em seu genoma, indicando uma forte associação com a
dependência.
Swami
ressalta que este estudo não fornece nenhuma evidência de que algumas
pessoas possuem uma "personalidade mais adictiva" do que outras.
"Esta
descoberta preliminar sobre o HK2 não explica por que cada vez mais
pacientes desenvolvem dependência mais tarde na vida", afirma.
"Se eles tivessem [o HK2], e ele fosse associado ou causador [da dependência], certamente ela se expressaria mais cedo."
O
gênero é outro fator de risco para o desenvolvimento de dependência.
Nos Estados Unidos, 11,5% dos homens e meninos sofrem com o abuso de
substâncias, em comparação com 6,4% das mulheres e meninas.
As razões são várias, segundo Hamilton.
"Os homens, principalmente os adolescentes, tendem a correr mais riscos e ser mais impulsivos", afirma.
A
impulsividade é outra característica associada à adicção. Mas Hamilton
alerta que a subnotificação pode ser significativa, já que a quantidade
de mulheres que buscam tratamento é menor, por questões relacionadas ao
cuidado dos filhos e à estigmatização.
Pesquisas mostram que o ambiente e a criação de uma pessoa também influenciam bastante o risco de desenvolver dependência.
Um estudo concluiu
que usuários de opioides têm 2,7 vezes mais chance de ter um histórico
de abuso na infância, seja sexual, físico ou ambos, do que não usuários.
Pessoas
que sofreram quatro experiências adversas na infância, como abuso
físico, sexual ou emocional, ou a perda de um dos pais, apresentam três
vezes mais chance de desenvolver problemas com álcool na idade adulta,
segundo um estudo de 2022.
"Fatores
psicossociais, como a violência, abuso sexual e negligência emocional
apresentam forte associação com a adicção", observa Swami.
"Muitas
pessoas vão dizer: 'Tenho histórico de adicção, é por causa da minha
genética'. Mas, quando você se aprofunda no histórico clínico, você
percebe que houve muita bebida, negligência, abuso, trauma e privações",
ele explica.
"Isso é passado de geração em geração e vem à tona na forma de adicção."
Anshul Swami concorda que o conceito é irreal e "fatalista".
"Ele
impede que as pessoas assumam a responsabilidade, tomem para si o
problema e encontrem soluções construtivas para melhorar", afirma.
Para
Mark Griffiths, muita gente com dependência vai usar a ideia da
personalidade adictiva como "justificativa para o seu comportamento".
Segundo ele, "quando alguém diz 'tenho personalidade adictiva', o que
está dizendo, na verdade, é 'nunca vou conseguir me curar'."
"As
adicções são doenças biológicas, psicológicas e sociais muito
complexas, como qualquer outra doença do planeta", afirma Swami.
"Todo mundo está procurando uma resposta simples, mas ela não existe."
A BBC tentou obter um comentário da empresa Purdue Pharma, mas a farmacêutica foi reestruturada após um processo de falência.
"Nada pesa tanto quanto um segredo", escreveu o fabulista francês Jean de la Fontaine, já no século 17.
Esta
metáfora é repetida de diversas formas por muitos outros escritores. E
foi o ponto de partida para uma pesquisa que levou uma década, realizada
pelo psicólogo Michel Slepian, da Universidade de Colúmbia, nos Estados
Unidos.
Ele visualizou os aspectos mais profundos da vida de cerca de 50 mil pessoas de 26 países.
"Meus
estudos originais questionavam se as pessoas realmente pensavam desta
forma", declarou Slepian à BBC News Mundo, o serviço de notícias em
espanhol da BBC.
Para
se aprofundar no tema, o pesquisador procurou literatura científica
sobre os segredos e percebeu "que, na realidade, não sabíamos nada".
A
questão não é que o assunto não tivesse sido abordado, mas sim que “os
psicólogos simplesmente presumiram que sabiam como eram os segredos, e
os recriaram em laboratório, em vez de olhar como eles eram no mundo
real”.
"Não
tínhamos respostas satisfatórias para algumas das perguntas mais
básicas, como quais segredos as pessoas guardam, com que frequência elas
os conservam e o que acontece quando um segredo vem à mente", afirma
Slepian.
Ele se propôs então a encontrar essas respostas.
Mas, para começar, havia uma pergunta básica que precisava ser respondida.
O Que é um segredo?
Parece fácil, mas não é. Existem muitas coisas sobre as quais não falamos, mas todas elas são segredos?
"Existe
todo tipo de pensamento e experiência que tivemos e que as pessoas não
sabem, mas isso não significa que sejam segredos", diz o pesquisador.
Há
assuntos que você só confiaria ao círculo mais próximo ou que não
discutiria em certos espaços, "mas isso tem mais a ver com a noção de
privacidade".
Para Slepian, que é autor do livro The Secret Life of Secrets ("A vida secreta dos segredos", em tradução livre), o que diferencia um segredo é a intenção.
"Defino o segredo como a intenção de reter informações de uma ou mais pessoas", explica.
"No momento em que você tem a intenção de não contar algo a uma pessoa, nasce um segredo."
E não depende de ter havido uma situação em que você poderia ter contado o segredo, mas se calou.
"O fato de você não ter precisado ocultar esse segredo em uma conversa não significa que não seja um segredo."
"De
fato, concluímos que não é muito frequente precisar guardar um segredo
em uma conversa, mas é muito comum ficar pensando no segredo ou até
ruminando a respeito', afirma o pesquisador.
38 segredos
Slepian começou pedindo a mil pessoas que contassem um segredo que estavam guardando.
"A partir desse conjunto de mil segredos, desenvolvemos uma lista de 38 categorias muito bem representadas pelos dados", revela.
Depois
de fazer a mesma pergunta para outro grupo de mil pessoas, ele e sua
equipe comprovaram que a lista era válida. E continuaram confirmando.
"Quando
fazemos a pergunta aberta 'qual é o segredo que você está guardando?',
92% das respostas se enquadram em uma dentre 38 categorias."
E
não é só isso: ao apresentar a lista aos participantes, "mais de 97%
das pessoas afirmaram que tinham um dos segredos da lista naquele
momento e, em média, as pessoas dizem que tiveram 13 segredos da lista
em um dado momento", afirma Slepian.
Essa
lista de 38 segredos inclui desde coisas como ferir outra pessoa,
física ou emocionalmente, autolesões, uso de drogas ou qualquer tipo de
roubo, até uma surpresa planejada para alguém ou um passatempo oculto.
Segredos leves
Para nossa sorte, nem todos os segredos pesam.
"Os
que chamo de 'segredos positivos' não prejudicam nossa saúde e
bem-estar; na verdade, podem melhorá-los. Eles nos fazem sentir
emocionados e energizados", destaca o psicólogo.
"Estamos falando de segredos como um pedido de casamento ou uma gravidez. São coisas que nos deixam felizes."
Também
existem segredos que são mais como prazeres secretos — coisas que não
contamos para as pessoas porque pensamos que elas não vão entender, nem
compartilhar.
"Talvez você goste de ver desenhos animados infantis ou novelas, ou use drogas recreativas", exemplifica Slepian.
"Quando
as pessoas guardam segredos com os quais se sentem bem e acreditam que
não estão tomando decisões erradas, mesmo não querendo que os outros
saibam, elas demonstram que existe um tipo de solidão que é feliz,
autônoma e livre da influência dos demais."
Mas
há muitos segredos que causam ansiedade. O objetivo da missão de
Slepian era não só saber que segredos as pessoas guardam, mas também
entender por que eles pesam tanto — e, como psicólogo, como fazer para
que eles fiquem mais leves.
Três dimensões
Com
todas as informações reunidas, Slepian e sua equipe prosseguiram com as
análises. O objetivo era encontrar uma ordem lógica para essas 38
categorias, criando um mapa 3D de todos os dados.
Ao
consultar o público para posicionar os dados no espaço, ele percebeu
que havia três dimensões — e que "cada uma dessas dimensões descrevia
uma das razões pelas quais pensar nos segredos é prejudicial".
"Um
segredo moral pode nos prejudicar, fazendo nos sentir envergonhados. Um
segredo de relacionamento (que envolve outras pessoas) pode nos fazer
sentir isolados. E pensar nos [segredos] relacionados às nossas metas ou
aspirações pode nos prejudicar, fazendo nos sentir inseguros ou sem
saber o que fazer."
Segundo
Slepian, 95% das pessoas pesquisadas destacaram que o simples fato de
identificar como dói um segredo faz com que elas "se sintam mais capazes
de lidar com ele e encontrar o caminho a seguir".
Na
primeira dimensão, compreender, por exemplo, que seus erros do passado
não refletem quem você é hoje, nem o seu comportamento futuro, pode
ajudar você a se sentir melhor.
Na
segunda dimensão, se a razão principal para não revelar o segredo é
porque iria ferir alguém de quem você gosta, mesmo sendo difícil
guardá-lo, alivia saber que é para o benefício de outra pessoa.
Mas existe algo que ajuda ainda mais.
O segredo para que os segredos fiquem mais leves
No nosso ímpeto, costumamos pensar que, se temos segredos tóxicos, o melhor é confessar. E talvez seja, mas nem sempre.
Há
ocasiões em que ser honesto pode te libertar, mas afetar profundamente
outras pessoas sem nenhum benefício, ou colocar você em evidência sem
resolver nada.
Mas
isso também não significa que o melhor seja se calar. Slepian destaca
que "o problema de não falar de um segredo com ninguém é que é muito
fácil encontrar formas prejudiciais de pensar nele".
O segredo para superar esta situação seria encontrar um bom confidente.
"Uma
forma mais saudável de lidar com os segredos é falar sobre eles com
outras pessoas, pois elas podem questionar nossas linhas de pensamento
improdutivas e oferecer apoio social e emocional, que você não consegue
encontrar por conta própria."
Mas como encontrar o confidente ideal?
A
pesquisa de Slepian destaca que o melhor é encontrar alguém que, além
de discreto, você considere sensível, empático, afetuoso, amável, que
não tenha preconceitos e que demonstre um sentido moral parecido com o
seu. Se ele se escandalizar com o que você revelar, não vai ajudar em
nada.
E,
antes de começar, lembre-se de não pensar só em você. É preciso
analisar se você não vai colocar aquela pessoa dentro do seu problema.
Você precisa garantir que vai compartilhar o segredo, e não a sobrecarga
e a angústia que ele traz.
"Encontrar
alguém com quem falar sobre o seu segredo e escolher a pessoa adequada
pode fazer toda a diferença", conclui o psicólogo.
Sabemos
que pessoas felizes tendem a ter relacionamentos sólidos, boa saúde
física e contribuem regularmente com suas comunidades.
Eu
experimentei nos últimos sete anos uma série de práticas relacionadas à
felicidade e ao bem-estar em uma tentativa de melhorar minha própria
saúde mental e de entender a melhor forma de ajudar os outros. Algumas
estratégias foram bem sucedidas, enquanto outras não funcionaram para
mim. Mas aqui está o que aprendi ao longo do caminho.
1. Movimente seu corpo
Meu
corpo precisa se movimentar regularmente ao longo do dia. Ficar sentada
por longos períodos de tempo não deixa meu corpo ou mente felizes. No
mínimo, caminho em ritmo acelerado por uma hora todos os dias.
A
atividade física e o exercício regular estão no topo da lista para
alcançar felicidade. Estudos mostram consistentemente uma relação entre
ser fisicamente ativo e aumentar o bem-estar subjetivo, também conhecido
como felicidade.
Pesquisas
sugerem que caminhar 30 minutos por dia pode melhorar sua saúde. Mas
estudos sobre felicidade revelam que as pessoas se beneficiam mais
quando praticam exercícios moderados e de alta intensidade, que aumentam
a frequência cardíaca.
Exercício
moderado é qualquer atividade que te deixe ligeiramente sem fôlego —
você ainda consegue falar, mas provavelmente não seria capaz de cantar
uma música.
2. Priorize a conexão
A
pesquisa mais recente sobre felicidade mostra que nossas conexões
sociais são importantes em termos de bem-estar geral e satisfação com a
vida. Aliás, arrumar tempo para falar, ouvir, compartilhar e se divertir
com amigos e familiares é um hábito que procuro priorizar.
Mas
um estudo recente descobriu que geralmente interagimos mais com amigos e
familiares quando nos sentimos infelizes — e menos quando estamos
felizes.
Isso
pode acontecer porque naturalmente buscamos conforto e apoio para nos
sentir mais felizes, e procuramos outras atividades quando nossa
felicidade está estável.
Parece
ser uma questão de equilíbrio, muito tempo sozinho pode levar a emoções
negativas e, por isso, procurar outras pessoas é uma maneira natural de
aliviar essa sensação e melhorar nosso humor.
Por
outro lado, quando nos sentimos positivos e felizes, ficamos mais
inclinados a apoiar os outros e a oferecer um ombro amigo.
No entanto, passar o tempo na companhia de amigos e familiares proporciona ganhos de felicidade a curto e longo prazo.
3. Pratique a gratidão
Nossa visão da vida e como avaliamos as coisas também desempenham um papel importante em nossos níveis de felicidade.
Estudos
mostram que ter uma mentalidade mais otimista e praticar um senso de
gratidão pode proteger contra as emoções negativas e aumentar a
felicidade.
Praticar
a gratidão diária, como contar minhas bênçãos ou listar as coisas pelas
quais sou grata ao longo do dia, me ajuda a pensar de forma mais
positiva e a me sentir mais feliz.
Você
pode fazer isso de várias maneiras — por meio, por exemplo, de um
diário de gratidão, que pode ser escrito à mão ou redigido no celular.
O exercício das três coisas boas é um hábito rápido e fácil de adotar para aumentar o otimismo.
Você simplesmente escreve três coisas que correram bem no dia e reflete sobre o que havia de bom nelas.
A gratidão também ajuda você a ver o panorama geral e a se tornar mais resiliente diante da adversidade.
Você
também pode praticar a gratidão de forma mais natural, agradecendo –
dizendo a alguém pelo que você é grato naquele dia ou enviando mensagens
de agradecimento.
4. Passar tempo com pets também ajuda
Meus
animais de estimação fazem parte da rotina da nossa família e também
ajudam na minha felicidade diária. Acho mais fácil sair para caminhar
por causa dos meus cachorros.
Pesquisas
mostram que os cães motivam seus companheiros humanos a serem mais
ativos e, em troca, tanto o animal quando o dono compartilham uma
experiência prazerosa que aumenta sua felicidade.
Estudos
sugerem que os animais de estimação oferecem muitos benefícios para a
saúde e a felicidade, pois não só servem de companhia, como também
reduzem os casos de depressão e ansiedade, ajudando a aumentar nossos
níveis de felicidade e autoestima.
Os
principais ingredientes para a felicidade, a que as pesquisas se
resumem, são conexões e atividades sociais — tanto da mente quanto do
corpo. E encontrar um fluxo de vida por meio de nossos hábitos e
intenções diárias pode levar a uma vida mais feliz e gratificante.
* Lowri Dowthwaite-Walsh é professora de intervenções psicológicas na University of Central Lancashire, no Reino Unido.