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domingo, 5 de junho de 2016


O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Os micróbios de seu estômago afetam sua saúde mental

 Estudos recentes mostram a relação entre a diversidade de bactérias que vivem no intestino humano e doenças como a depressão e a ansiedade

 

Até pouco menos de uma década atrás, mudar o comportamento de uma pessoa com um transplante de fezes pareceria uma loucura. E não é algo que ocorrerá amanhã, mas as pesquisas com animais sugerem que talvez não seja uma ideia tão descabida. O que é averiguado nos laboratórios sobre a influência das bactérias que vivem em nosso intestino indica que elas não desempenham somente tarefas fundamentais para a saúde de nosso estômago. Influem também no estado do cérebro. 
Essas bactérias já foram transplantadas experimentalmente em humanos para combater infecções intestinais e da mesma forma, através da dieta e alimentos probióticos, que incluem microrganismos, serviriam para tratar doenças psiquiátricas e neurológicas.
Várias experiências com animais, principalmente ratos de laboratório criados em condições muito controladas, mostraram que os microrganismos do intestino podem afetar seu comportamento e modificar o equilíbrio químico de seu cérebro. Foi comprovado, por exemplo, que quando são introduzidas fezes de humanos com depressão em ratos estes desenvolvem sintomas próprios dessa doença. Em nossa espécie, também foram observados vínculos entre doenças gastrointestinais e patologias psiquiátricas como o autismo, a ansiedade e a depressão.
Transplantar fezes de pessoas depressivas a ratos induz a doença nos animais
“Já foram realizados estudos em humanos nos quais se compara a microbiota de pessoas sãs com a de outras que têm determinada doença e foi visto que modificando o ecossistema intestinal e suas funções é possível reduzir os estados de ansiedade”, explica Yolanda Sanz, pesquisadora do CSIC e coordenadora do projeto europeu MyNewGut, iniciativa financiada com 9 milhões de euros (35,6 milhões de reais) pela União Europeia para o estudo das bactérias intestinais. Mas acrescenta que “não existem evidências de causa e efeito em doenças mais graves”.
Sanz menciona também o interesse de algo que quase todo mundo já experimentou, a relação entre estados emocionais alterados e o mal-estar intestinal. “Em pessoas com alterações gastrointestinais, como síndrome de intestino irritável, foram observados problemas como a ansiedade e até mesmo depressão”, diz Sanz. “Nesses pacientes com esses transtornos mentais, foi observado que metade tinha problemas no sistema digestivo”, continua.
Agora, afirma a cientista do CSIC, resta o desafio de compreender o que é causa e o que é efeito nas relações entre problemas intestinais e mentais. Uma das formas de consegui-lo consistirá em realizar intervenções nos pacientes, “através de alimentos e bactérias prebióticas e probióticas” que modifiquem os equilíbrios entre micróbios que marcam a diferença entre a doença e a saúde. 
Sanz reconhece, entretanto, que o conhecimento ainda é escasso para se pensar em intervir com sucesso no ecossistema microbiano: “Existem algumas publicações que mostram que alguns probióticos podem reduzir a ansiedade, mas são estudos pequenos que em sua maioria não foram reproduzidos”. “É cedo para podermos fazer recomendações generalizadas, porque a complexidade do ecossistema intestinal é muito alta e é simplista pensar que com somente uma bactéria vamos solucionar o problema. Precisaremos pensar em modificar o ecossistema com intervenções mais integrais”, conclui.
Alguns probióticos conseguiram reduzir a ansiedade, mas em experimentos não replicados
Pesquisadores de todo o mundo começam a identificar os mecanismos através dos quais as bactérias do intestino, mediante a produção de hormônios e as moléculas que geram ao se alimentarem, modificam a química de nosso cérebro. Mas por enquanto o conhecimento sobre a influência do microbioma veio mais através do estudo de correlações do que pela análise dos processos concretos que as produzem. Uma série de estudos publicada recentemente na revista Science mostrou que uma diversidade bacteriana maior no intestino estava relacionada com uma saúde melhor. 
Além disso, vinculou essa diversidade ao consumo de iogurte e café, e indicou alguns fármacos como os ansiolíticos e os antibióticos e comer demais como culpados na queda na variedade microbiana.
A complexidade do problema pode ser entendida através dos números sobre a flora intestinal. Cada pessoa tem em seu estômago mais de um quilo de microrganismos, a maioria bactérias, de 1.200 espécies diferentes. Não será fácil manipular essa engrenagem para ajustá-la às nossas necessidades sem produzir efeitos indesejados.
“Estamos diante de um campo promissor, mas ainda incipiente”, diz Vicent Balanzá, pesquisador de Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Saúde Mental na Universidade de Valência. “A maior parte dos estudos é feita com ratos e temos o problema de replicá-los em humanos, e os estudos em humanos são transversais, de modo que temos problemas para identificar a causalidade”, prossegue. “Outra pergunta que ainda está no ar é qual é composição que consideramos normal e saudável da microbiota humana”, acrescenta.
Cada pessoa tem em seu estômago mais de um quilo de microrganismos de 1.200 espécies diferentes
Já existem ensaios clínicos com probióticos para tratar a depressão que melhoram os sintomas, mas são resultados que precisam ser confirmados. Além desses produtos que incluem micróbios benéficos, Balanzá destaca as possibilidades da dieta para reparar a microbiota humana danificada associada à doença mental. 
“Temos dados científicos de que uma boa dieta, como a mediterrânea, aumenta a diversidade da microbiota intestinal e tem efeitos anti-inflamatórios”, diz. O psiquiatra da UV afirma que essas intervenções “são consideradas junto com psicofármacos e outros tratamentos”.
Dada a heterogeneidade dos transtornos psiquiátricos, que são definidos por sintomas que podem ter bases fisiológicas diversas, não é possível realizar um tratamento único. Balanzá indica que será preciso distinguir condições particulares dentro de doenças que têm o mesmo nome. No caso da depressão, por exemplo, o pesquisador explica que “graças aos estudos de Michael Maes, sabemos que um terço dos pacientes com depressão apresenta a síndrome de intestino permeável”.
 “Não encontramos essa síndrome em todas as pessoas com depressão, de modo que as intervenções com a intenção de modular a microbiota intestinal não seriam úteis a todos os pacientes, seria preciso identificar aqueles que podem se beneficiar das intervenções”, afirma.
O estudo do microbioma pode ser um caminho para compreender as conexões entre o estado de ânimo e a saúde física que seriam produto de processos comuns. A inflamação é um nexo comum que une a diabetes, doenças autoimunes e o câncer e poderia ajudar a explicar o fato de aparecerem com certa frequência com algumas doenças mentais como a depressão associadas a outras inflamatórias como a síndrome do intestino irritável. 
Entender o papel dos micróbios que vivem em nosso intestino na inflamação ajudaria a fornecer uma visão mais ampla sobre um conjunto de doenças que, mesmo parecendo isoladas, poderiam ser tratadas com maior possibilidade de sucesso com uma visão mais ampla. Assim, conclui Balanzá, poderão ser feitas intervenções em psiquiatria “com tratamentos que habitualmente são vistos como medicina alternativa, como a dieta, o exercício e padrões de sono adequados” sabendo por que afetam a saúde.
FONTE:  http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/20/ciencia/1463758597_456201.html

Redesignação do sexo: a mudança física em busca da saúde mental

  • André Cabette Fábio  

  • Nascida, batizada e criada como menino em uma família conservadora, a transexual Cristiane Beatriz Santos não se conformava com seu órgão sexual desde os seis anos. “Entortava para ver se desaparecia”, usava cuecas apertadas. Mais de uma vez levou surras de seus pais por motivos como usar uma presilha no cabelo.
    Ela nasceu no começo dos anos 1980, na zona rural de Firminópolis, município com 11,6 mil pessoas a 100 km de Goiânia. Na adolescência, a aparição na TV da figura da transexual Roberta Close foi como uma “luz no fim do túnel”.
    Cristiane Beatriz domou os trejeitos e abriu mão de usar roupas ou penteado feminino na frente da família. Tornou-se um garoto estudioso e recluso, mas intimamente decidido: passaria pelo mesmo procedimento de Roberta Close assim que se tornasse independente.
    A história de Cristiane é representativa de um drama pelo qual milhares de transexuais mulheres e homens passam no Brasil na luta por assumir a própria identidade. Em 2009, ela realizou a cirurgia de redesignação sexual no Hospital das Clínicas de Goiânia, ligado à Universidade Federal de Goiás.
    “As pessoas acham que estamos brincando de ser mulher, mas não é assim. A coisa é muito importante para a gente. Desde que me entendo por gente sentia que tinha algo errado comigo no sentido biológico. Eu não entendia por que tinha aquele órgão”
    Cristiane Beatriz Santos
    Educadora Social e militante transexual do Fórum de Transexuais do Estado de Goiás
    A cirurgia se tornou mais acessível no país a partir de 2008, quando o SUS (Sistema Único de Saúde) passou a pagar por ela. Até 2015, foram realizadas 10.710 operações pelo SUS no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

    Evolução#

     
    Cristiane entrou com o pedido para realizar o processo no Hospital das Clínicas de Goiânia em 2007, antes mesmo de o procedimento ser formalmente adotado pelo SUS. Esse foi um dos fatores que permitiram que realizasse a operação após espera de apenas dois anos, um tempo relativamente curto.
    O Ministério da Saúde não tem dados sobre a quantidade de pessoas aguardando para realizar o procedimento, já que a fila é gerida de forma dispersa pelas instituições que o oferecem. Mas a espera é longa.
    Daniel Mori, psiquiatra do Ambulatório Transdisciplinar de Identidades de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, ligado à USP (Universidade de São Paulo), busca preparar suas pacientes para aguardar de 15 a 20 anos.
    Essa é a mesma informação passada pela psicóloga Salete Amador, que assessora a Coordenadoria Regional de Saúde do Centro da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, voltada ao atendimento de transexuais.
    No Brasil, os passos para realizar o processo de redesignação sexual são estabelecidos pela portaria 457 de 2008. O acesso passou a se estender também para trans-homens a partir de 2013, com a portaria 2.803. As regras valem para o SUS, mas também costumam ser adotadas como referência na rede privada, afirma Mori.

    Alteração física e saúde mental

    Cristiane conta que antes da operação não se sentia bem para ter intimidade com um parceiro sexual. Por não ter uma vagina, sempre achou muito difícil se sentir como mulher. “Eu falava ‘preciso operar porque preciso me sentir completa’.”
    Mas nem todo transexual tem a mesma experiência, e não é necessário realizar qualquer operação para se entender como trans. Aos 57 anos de idade, a cartunista Laerte se assumiu transexual sem realizar nenhum procedimento, por exemplo.
    O processo de redesignação pode se limitar ao uso de hormônios, ou a cirurgias plásticas em outras partes do corpo. Ele não precisa necessariamente incluir cirurgia no órgão sexual, e é buscado por transexuais que desejam fortalecer características associadas ao gênero com o qual se identificam, como ter pelos em mais partes do corpo no caso de trans-homens ou ter a voz mais fina no caso de trans-mulheres. Nas palavras de João Nery, o primeiro trans-homem brasileiro:
    “Não é a cirurgia que faz você mudar seu gênero, ela é apenas uma adequação para você se tornar inteligível na sociedade”
    João Nery
    Primeiro trans-homem brasileiro a realizar a cirurgia de redesignação sexual, psicólogo e militante da causa trans no Brasil
    O SUS reconhece que o processo de redesignação sexual não é um procedimento meramente estético, mas que diz respeito à saúde mental daqueles que o buscam. O sentimento de inadequação em relação ao próprio corpo está relacionado a problemas como depressão, ansiedade, traumas e mesmo suicídios.

    Tratamento controverso

    Por causa de todos esses problemas, a portaria 457 de 2008, do Ministério da Saúde, define a cirurgia de redesignação sexual como tratamento para a transexualidade. Ou seja, por um lado reconhece o direito de um transexual pleitear mudar o próprio corpo, mas por outro encara a transexualidade como uma doença.
    Essa ideia é combatida por militantes LGBT. Mas, assim como a homossexualidade foi considerada um transtorno mental pela Organização Mundial de Saúde até 1990, a transexualidade ainda é tratada como doença, também pelo governo brasileiro. A expectativa, no entanto, é que esse entendimento seja modificado na próxima versão da CID (Classificação Internacional de Doenças), que deve ser publicada em 2016.

    Tratamento hormonal

    Depois que pleiteiam o processo de redesignação sexual, pacientes são avaliados por uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psiquiatras, psicólogos e endocrinologistas, que buscam entender qual seu desejo. Muitos transexuais buscam apenas a terapia hormonal e não têm interesse em realizar a cirurgia para a redesignação sexual, por exemplo.
    Salete Amador afirma que no geral psicólogos dão sem grandes problemas o aval para que transexuais tomem hormônios.
    Cristiane conta que antes de ter acesso ao tratamento, tomava anticoncepcionais seguindo a indicação de amigas transexuais, mas que a diferença foi maior com o tratamento hormonal.
    Transexuais com identidade de gênero feminina usam progesterona e estrógeno. Cristiane diz que, com a terapia hormonal, o cheiro de seu suor ficou mais ameno, feminino e seus pelos mais macios. Até hoje, toma 180 comprimidos por mês que retira junto a uma unidade básica de saúde. Se pagasse pelos comprimidos, gastaria R$ 200 por mês, uma verba de que não dispõe.
    Segundo Mori, do Hospital das Clínicas de São Paulo, entre as modificações corporais nas quais o tratamento hormonal resulta estão: redistribuição da gordura corporal, que passa a se acumular mais no culote, nos seios e nas nádegas, crescimento das mamas e diminuição da quantidade de pelos pelo corpo. Os hormônios não alteram a voz.
    Para transexuais homens o tratamento é a base de testosterona. Esse hormônio também redistribui a gordura corporal, que fica menos concentrada nas nádegas, no culote e nos seios e mais na região abdominal. As mamas diminuem, o clitóris aumenta e mais pelos se proliferam pelo corpo. A voz fica mais grave.
    Foto: Sergio Gomes/Arquivo Pessoal
    Cristiane Beatriz Santos
    A transexual educadora social e militante Cristiane Beatriz Santos

    Tratamento psicológico

    A portaria do Ministério da Saúde estabelece que a idade mínima para procedimentos ambulatoriais, como a hormonoterapia, é de 18 anos. A idade mínima para procedimentos cirúrgicos é de 21 anos.
    Quando fez o pedido para realizar a operação, Cristiane já tinha quase trinta anos, e um histórico de militância na causa trans. Mesmo assim, precisou obter a aprovação de uma psicóloga para tomar hormônios, um procedimento determinado pela portaria do Ministério da Saúde. Essa também prevê pelo menos dois anos de atendimento psicológico antes das cirurgias.
    Muitos militantes LGBT criticam essa etapa por avaliarem que o psicólogo ou psiquiatra retira a independência de transexuais para decidirem sobre o próprio corpo.
    Daniel Mori, do Hospital das Clínicas, afirma que a maior parte do trabalho do psicólogo é "ajustar expectativas". “É muito comum o pensamento de que ‘quando operar, vou conseguir um emprego melhor, não vou ser visto como mulher trans ou homem trans, vou me casar’. Mas algumas coisas continuam as mesmas, situações de preconceito continuam sendo vividas”, diz.
    Cristiane diz que parte das transexuais decide, durante a terapia, que está satisfeita apenas com a terapia hormonal e não precisa realizar a operação de redesignação sexual. Ela avalia sua experiência com a psicóloga como positiva.
    “Foi como uma preparação. Contava do meu passado, contava da minha vida, não senti como se fosse uma triagem e nunca tive que provar que eu era mulher. Quando acordei na sala de recuperação, cheia de fios, imobilizada, confesso que disse ‘meu Deus o que fiz na minha vida?’, fiquei muito apreensiva por um momento. E minha psicóloga estava sempre do meu lado”
    Cristiane Beatriz Santos
    Educadora Social e militante transexual do Fórum de Transexuais do Estado de Goiás

    FONTE: https://www.nexojornal.com.br/reportagem/2016/05/27/Redesigna%C3%A7%C3%A3o-do-sexo-a-mudan%C3%A7a-f%C3%ADsica-em-busca-da-sa%C3%BAde-mental

domingo, 15 de maio de 2016

Como distinguir a depressão da demência na terceira idade?

Sabia que a depressão afeta uma em cada dez pessoas com idades acima dos 65 anos? Que é a perturbação mais comum na saúde mental em idosos e é frequentemente desvalorizada por pacientes, técnicos de saúde e familiares, sendo considerada parte integrante do envelhecimento?
A desvalorização talvez aconteça porque na depressão na terceira idade, além da apatia e fraca motivação, também típicas do envelhecimento, existem normalmente poucas queixas de tristeza que, por sua vez, é muitas vezes substituída por hipocondria e preocupações somáticas. 
No entanto, a depressão tem vindo a aumentar, reduzindo a qualidade de vida, aumentando incapacidades físicas – sendo uma das principais causas da dependência funcional de cuidadores para atividades da vida diária como a higiene e a alimentação, e é um dos maiores prenúncios de suicídio na terceira idade.
Muitas das vezes, a depressão na terceira idade vem acompanhada de perdas cognitivas, sendo nestes casos denominada de pseudodemência depressiva, o que dificulta o diagnóstico diferencial entre depressão e demência. Muitos dos sintomas depressivos, como a desmotivação, apatia, embotamento afetivo, dificuldades de concentração, discurso e psicomotricidade mais lentos são também sintomas de quadros demenciais.
Sendo assim, como podemos diferenciar a depressão da demência na terceira idade?
  1. A ordem de ocorrência dos sintomas ajuda a distinguir depressão de demência, pois normalmente os doentes cujas alterações cognitivas precedem os sintomas depressivos parecem ter maior probabilidade de estarem a desenvolver uma “verdadeira” demência do que aqueles em que a sintomatologia depressiva precede as alterações cognitivas.
  2. Pessoas com depressão catastrofizam as suas dificuldades mnésicas e podem até ter resultados inferiores à média nos testes de memória, mas isto apenas acontece não por dificuldades mnésicas reais mas por pouca motivação para o desempenho de tarefas.
  3. Normalmente apresentam maiores dificuldades na memória a longo prazo, o que poderá ser confirmado através de uma avaliação de neuropsicologia, que escrutina as várias memórias. É também fundamental avaliar se as dificuldades mnésicas se instalaram súbita ou gradualmente e se o idoso tem historial familiar de depressão ou demência.
  4. No entanto, muito frequentemente, um quadro clínico de demência pode ser acompanhado de depressão, o que dificulta o diagnóstico diferencial.
Catarina Barra Vaz.
O diagnóstico diferencial deverá ser realizado preferencialmente por um médico especialista, nomeadamente de neurologia ou psiquiatria. De entre os vários exames complementares que poderão ser requisitados, tais como a T.A.C. (Tomografia Axial Computorizada) ou R.M. (Ressonância Magnética) crânio-encefálicas, é também aconselhável a realização de uma avaliação neuropsicológica.
A título ilustrativo deixamos uma tabela com o resumo das principais diferenças entre depressão e demência na terceira idade:
Depressão:
  • Início bem demarcado;
  • Historial familiar de depressão;
  • Queixas de perdas cognitivas;
  • História de dificuldades psicológicas
    ou de crise de vida recente;
  • Perdas cognitivas posteriores à sintomatologia depressiva;
  • Pouco esforço durante a aplicação do exame neuropsicológico;
  • Maiores défices na memória a longo prazo;
  • Melhoria de défices cognitivos com medicação antidepressiva;
  • Início indistinto;
  • Historial familiar de demência;
  • Poucas queixas (por parte do próprio) de perdas cognitivas;
  • História de dificuldades psicológicas ou de crise de vida pouco frequente;
  • Alterações cognitivas anteriores aos sintomas depressivos;
  • Luta frequente para executar as tarefas cognitivas;
  • Maiores défices na memória a curto prazo;
  • Melhoria pouco significativa dos défices cognitivos com antidepressivos;
Demência
  • Início indistinto;
  • Historial familiar de demência;
  • Poucas queixas (por parte do próprio) de perdas cognitivas;
  • História de dificuldades psicológicas ou de crise de vida pouco frequente;
  • Alterações cognitivas anteriores aos sintomas depressivos;
  • Luta frequente para executar as tarefas cognitivas;
  • Maiores défices na memória a curto prazo;
  • Melhoria pouco significativa dos défices cognitivos com antidepressivos;
  • FONTE: http://oficinadepsicologia.com/como-distinguir-depressao-de-demencia-na-3-a-idade

sábado, 14 de maio de 2016

Onde vivem os brasileiros que mais sofrem com depressão



  Estados do Sul têm mais adultos com depressão
São Paulo – No Brasil, 7,6% dos adultos já foram diagnosticados com depressão, o que equivale a 11 milhões de pessoas. Dentre esses brasileiros, mais da metade (52%) usa medicamentos. Os dados são do IBGE.
Os estados que mais concentram adultos deprimidos ficam no Sul do país. O Rio Grande do Sul é o primeiro da lista. Lá, 13,2% das pessoas com 18 anos ou mais já foram diagnosticadas por um profissional de saúde. Em seguida vêm Santa Catarina, com 12,9%, e Paraná, com 11,7%.
Publicidade. Na outra ponta do ranking estão os estados do Norte. No Pará, último da lista, apenas 1,6% dos adultos receberam diagnóstico da doença. O Amazonas vem em seguida, com 2,7%. 
A depressão causa sérios problemas para parte desses brasileiros. Segundo o IBGE, 11,8% dos que sofrem com a doença no país têm limitações graves em suas atividades por conta disso. E, apesar de 52% tomarem medicamentos, apenas 16,4% fazem psicoterapia.
Na tabela abaixo é possível ver os dados para todo o país. Estão disponíveis os números sobre pessoas com diagnóstico de depressão e, dentre elas, as que têm limitações por conta disso, as que receberam assistência médica no ano anterior à pesquisa, as que fazem psicoterapia e as que usam medicamentos.
Veja nas fotos os números para cada estado brasileiro. As informações são da Pesquisa Nacional de Saúde 2013, feita pelo IBGE, e se referem a pessoas com 18 anos ou mais. 

Brasil
Pessoas com diagnóstico de depressão (%) 7,6
Pessoas com diagnóstico de depressão que possuem grau intenso de limitações por conta disso (%) 11,8
Pessoas com diagnóstico de depressão que receberam assistência médica no último ano(%) 46,4
Pessoas com diagnóstico de depressão que fazem psicoterapia (%) 16,4
Pessoas com diagnóstico de depressão que usam medicamentos (%) 52,0

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/onde-vivem-os-brasileiros-que-mais-sofrem-com-depressao

domingo, 17 de abril de 2016

Familiares de pessoas com autismo encontram em associações espaço de acolhimento e luta por inclusão

Por: Camila Kosachenco
Para conviver com uma síndrome que ainda gera mais perguntas do que respostas, o conhecimento é a principal arma usada por pais e familiares de pessoas com transtorno do espectro do autismo (TEA). Em busca de acolhimento, informação e conscientização, eles se reúnem em associações que, além de ajudar quem recebe o diagnóstico, lutam por mais inclusão das pessoas que têm a síndrome.
Foi a uma dessas organizações que a psiquiatra Luciana Bridi recorreu seis meses depois de ter a confirmação que o filho mais novo, Pedro, era autista:
– Ninguém sabe muito bem quem deve procurar, quem são os especialistas. A gente fica muito perdido. Então, tive uma indicação e conheci o Instituto Autismo e Vida, em Porto Alegre, e comecei a ter contato com outras mães e a me apropriar das informações.
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A partir daí, Luciana aproveitou sua formação em Medicina para se aprofundar no assunto e, desde o ano passado, é sócia voluntária da entidade não governamental. Hoje, ela participa das atividades da organização e ajuda outras famílias que estão passando pela mesma situação que ela já viveu:
– Sinto que estou dando para outras crianças a mesma chance que o Pedro teve, e a outras famílias, o apoio que recebi.
Fundado oficialmente em 2011, o Instituto Autismo e Vida tem uma programação que abrange palestras e bate-papos com as famílias. Uma vez por mês, a associação convida especialistas que apresentam novidades sobre a inclusão de pessoas que têm a síndrome em áreas que vão desde a música até o esporte. Nos encontros, pais que já participam do grupo atendem individualmente famílias que receberam o diagnóstico há pouco tempo.
– É uma conversa de pai para pai. As pessoas que estão atendendo já passaram pelo olho do furacão e estão na fase de reconstrução – diz Luciana.
Com a força que ganharam no passar dos anos, as associações se tornaram protagonistas nas conquistas alcançadas em prol das pessoas que convivem com o transtorno. Graças ao empenho das famílias e dos amigos envolvidos na luta pela inclusão é que hoje os autistas têm direitos garantidos pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, acordada em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU).
– Não há dúvida de que as famílias que compõem as associações de pais têm papel fundamental nas conquistas – avalia a presidente da Associação Brasileira de Autismo, Marisa Furia Silva.
Apesar dos avanços, ainda há uma luta muito grande para que a sociedade e as escolas estejam aptas a atender essas pessoas. Outro empecilho é encontrar profissionais especializados no tema:
– Também são pontos importantes viabilizar, em termos de saúde pública, diagnóstico e tratamento adequado e precoce e incrementar os financiamentos de pesquisas para equipes sérias que se dedicam ao assunto – analisa Luciana.[
Mês de mobilizações
Em 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, e diversas ações são desenvolvidas ao longo do mês. Caminhadas em parques e encontros entre pais e especialistas para falar sobre o transtorno foram algumas das atividades desenvolvidas pelo Instituto Autismo e Vida que ocorreram em Porto Alegre, Canoas e Viamão.
– É uma mobilização para que a sociedade nos perceba e para que essa visibilidade também tenha a função de movimentar a questão das políticas públicas – explica a diretora presidente do Instituto, Marilene Symanski.
Ações como essa se estendem por todo o mundo e buscam aproximar pais, sociedade e pessoas com a síndrome. Fora isso, têm papel fundamental na capacitação de profissionais para atender e identificar casos de autismo. Com o aprendizado, elas conseguem distinguir melhor todas as nuances do transtorno e antecipar o diagnóstico, considerado imprescindível para iniciar o tratamento o mais rápido possível.
– Conscientizar é importante para que profissionais da saúde entendam como são as pessoas com autismo. Há muitas associações que promovem cursos para capacitação de funcionários do governo e de familiares – avalia Marisa.
O autismo
É um transtorno neurológico que atinge o desenvolvimento infantil. Ele compromete três grande áreas: interação social, comunicação e comportamento. Pessoas com autismo têm dificuldade de comunicação e até atraso no desenvolvimento motor. As dificuldades podem variar de intensidade. Portanto, o tratamento é individualizado e deve começar tão logo se receba o diagnóstico. De acordo com dados americanos, mais de 70 milhões de pessoas no mundo têm autismo.
FONTE: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2016/04/familiares-de-pessoas-com-autismo-encontram-em-associacoes-espaco-de-acolhimento-e-luta-por-inclusao-5779161.html#

sábado, 12 de março de 2016

Pessoas contam como é conviver com o diagnóstico de um transtorno mental

Segundo a OMS, em 2020/2030, a depressão será a doença mais comum do mundo
Embora hoje sejam mais comentadas, doenças como depressão, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), bipolaridade, síndrome do pânico, esquizofrenia e depressão ainda são envoltas em medo, preconceito e ignorância.
Todas exigem tratamentos prolongados, à base de medicação e psicoterapia, em muitos casos para a vida toda. A rotina da pessoa, no entanto, não pode parar. Com as técnicas adequadas e o apoio de amigos e familiares, é possível ter um dia a dia normal e trabalhar, estudar, sair com os amigos, namorar.

A melhor maneira de lidar com essas doenças é não estigmatizá-las, mesmo porque seus índices tendem a crescer. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão, por exemplo, atinge mais de 121 milhões de pessoas no planeta e na década de 2020/2030 será a doença mais comum do mundo. A esquizofrenia atinge 1% da população em idade jovem, entre 15 e 35 anos, e tem enorme impacto social; já o TOC é o quarto diagnóstico psiquiátrico mais frequente na população.

Para Andréa Paes Favalli, psicanalista da clínica do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, a falta de informação e a demora na busca de orientação e tratamento pode agravar a situação e provocar atitudes extremas, como violência familiar e mesmo suicídio.

"A vida deve seguir seu fluxo normal. Estudo, trabalho, relacionamento amoroso, convivência familiar e social compõe o projeto de vida dessas pessoas", fala. "Quem está próximo pode tanto ajudar quanto dificultar muito o tratamento. É preciso ter empatia por aqueles que estão em sofrimento psíquico profundo e levá-los a sério, auxiliando-os a encontrar o equilíbrio e incentivando o tratamento", declara Roberto Rosas Fernandes, psicólogo, analista junguiano pela SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica) e pós-doutorando em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo).

A seguir, quatro pessoas com transtornos mentais contam como convivem com o diagnóstico de transtorno mental. 

Robinson Vieira, 30, representante comercial

"Sabe o personagem do Jack Nicholson no filme 'Melhor É Impossível'? Ele me representa. Tenho TOC e durante um tempo precisei me guiar por alguns padrões para me sentir confortável. Tentava não pisar nas rachaduras ou linhas das calçadas. Lavava as mãos diversas vezes por dia e, por força do hábito, ainda carrego comigo um frasco de álcool gel e um pacote de lenços umedecidos. Dificilmente usava um banheiro fora de casa e isso já me custou uma das maiores humilhações da minha vida. Quando fiz um estágio, tinha nojo do banheiro do escritório e evitava entrar lá a todo custo. Um dia, não aguentei e acabei urinando na calça. Apesar da vergonha, foi esse episódio, que aconteceu há cinco anos, que me levou a fazer tratamento psiquiátrico e terapia. Aprendi a identificar e a combater situações de ansiedade. Às vezes, em circunstâncias estressantes, ainda me pego falando mentalmente alguma frase ou palavra, repetidamente, para me acalmar, mas sinto que estou melhor. No trabalho, nem todo mundo sabe da minha condição, mas não ligo se isso vier à tona porque sou um profissional respeitado. Minha família e meu namorado me apoiam. Tento levar uma rotina normal, apesar de saber que o tratamento vai durar por muito tempo. Uma coisa que me ajuda muito é o esporte. Jogo tênis e me sinto mais tranquilo depois de uma partida."

M.C.F.S., 25 anos, auxiliar administrativa

"Fui diagnosticada há pouco tempo com síndrome do pânico e estou em tratamento. Ninguém no meu trabalho sabe, nem pretendo contar. As pessoas são preconceituosas e o ambiente da empresa é muito competitivo. Revelar o transtorno significaria me tornar vulnerável e ser tachada de louca pelos demais. Tive algumas crises no ano passado, mas somente uma delas aconteceu no escritório. Comecei a sentir falta de ar, o coração disparou, fiquei pálida e nauseada. Cheguei a vomitar e foi a maior sorte, porque, embora não soubesse o que estava havendo comigo, pude mentir dizendo que havia comido algo que não caiu bem na véspera. Sempre fui ansiosa, mas os ataques de pânico provocaram uma grande mudança na minha vida. Hoje evito lugares fechados e muito movimentados. Raramente saio de casa nos fins de semana e meu pai passou a me dar carona para o trabalho, tanto na ida quanto na volta, todos os dias. Moro muito longe da empresa, já fui assaltada no trânsito e tenho receio de sofrer uma crise ou um acidente. Estou muito triste com a situação, mas confiante que, com acompanhamento médico, voltarei a ter uma vida normal. Tenho de acreditar."

Maria Cleusa Novais, 44, professora

"Sou bipolar, mas levo uma vida 100% normal. Não fico anunciando que tenho a doença aos quatro ventos, porque a bipolaridade é carregada de estigmas. Mulher já tem fama de louca, não é? Algumas pessoas sabem, como parentes, meu marido, minha filha e os amigos mais chegados. Porém, acho que não é o tipo de informação que precisa ser divulgada. Prefiro me resguardar. Se alguém perguntar, confirmo. Lógico que já sofri poucas e boas, mas, desde que iniciei o tratamento, há dois anos, eu me sinto bem. A última crise foi há um ano e oito meses, quando o médico ainda estava acertando a medicação, mas aconteceu de forma branda. No episódio mais forte, cheguei a avançar na minha chefe por causa de uma piadinha sobre TPM. A irritação se alternava com depressão e uma tremenda euforia. Quando me sentia eufórica, falava sem parar, ninguém me segurava. Entrei de licença médica no começo do tratamento, mas optei por pedir demissão para me cuidar. Procurei me alimentar bem, dormir regularmente e tentar canalizar os picos de energia para atividades físicas. Estou em um novo emprego há seis meses e me sinto feliz. Aceitar o problema e tentar encará-lo com leveza é o meu lema."

V.P.M., 24 anos, estudante

"O que mais me incomoda são os risos, as gozações. Em um surto, passei horas falando com a televisão. Em outro, ouvia vozes na minha cabeça me dizendo para fazer coisas terríveis. Não sei se o fato de ter consumido drogas na adolescência agravou meu caso, porque não há nenhum outro caso de esquizofrenia na minha família. Estou em tratamento, mas é muito difícil. A sorte é que tenho o apoio e o amor incondicional da minha mãe. Meus amigos se afastaram. De vez em quando, mandam mensagens, mas apenas um me visita. Quero ter uma vida normal, mas não sei quando isso vai acontecer. Pretendo voltar para a faculdade no ano que vem."
FONTE: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/03/11/pessoas-contam-como-e-conviver-com-o-diagnostico-de-um-transtorno-mental.htm